Desde o trimestre final do ano passado, Pelotas vive o terceiro ou quarto turno das eleições. A cidade fervilha nos bastidores políticos. Câmara de Vereadores e governo entraram já em diversas rotas de colisão, que a cada semana ganham novos capítulos. O último são as convocações do secretário de Planejamento e Gestão, Salvador Martins, para prestar esclarecimentos sobre suposta interferência política no Legislativo, e também do prefeito Fernando Marroni, por desdobramentos da oitiva de Martins. E partir disso tudo, há muito o que se analisar.
A questão apertou no fim do ano passado, com o combo de elementos a partir da eleição para a presidência da Câmara, o pagamento das emendas, o afastamento de Fernanda Miranda, a derrubada de decretos e tudo mais. Por um bom tempo, inclusive, vereadores tentaram emplacar uma narrativa de impeachment ligado à temática das emendas. Assunto que, aliás, praticamente desapareceu após reportagem do A Hora do Sul destrinchando os pagos x não pagos. Uma prova de que, diante das dúvidas, a transparência é o melhor caminho na coisa pública.
Todos esses fatores fazem parte do jogo político e estão interligados. A Câmara tem todo o direito de se incomodar com conduções do Executivo e firmar pé com uma maioria de oposição, batendo de frente. O governo, por sua vez, faz mudanças para tentar ganhar casas nesse tabuleiro político e voltar a ter algum controle das coisas. Se essas questões ficarem dentro apenas do debate político e não descambarem para alguma irregularidade, tá tudo bem. Mas tá mesmo?
Enquanto essa briga política continua, já passou-se mais de um mês do ano e praticamente não se discutiu temas fundamentais da cidade. Afinal, quais serão as estratégias para acompanhar o Polo Naval? Como Pelotas vai trabalhar para ter legislações que ajudem a atrair empresas e a gerar empregos? Como ficarão os investimentos em infraestrutura da cidade? E a segurança ambiental, tão necessária após as enchentes?
Enquanto municípios da volta “passam de moto” por Pelotas nesses temas, a impressão que dá é que a Princesa do Sul está parada em uma briga de egos, discutindo o sexo dos anjos e pouquíssimo inclinada a olhar para frente. A cada dia que é desperdiçado com picuinhas, mais difícil fica de retomar a toada do desenvolvimento.