Fechamentos de lojas no Centro revelam reconfiguração do comércio

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Fechamentos de lojas no Centro revelam reconfiguração do comércio

Especialistas analisam desafios do setor e indicam caminhos para revitalização e novos investimentos

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Fechamentos de lojas no Centro revelam reconfiguração do comércio
Uma das maiores lojas do Calçadão, a Marisa encerrou as atividades na última semana. (Foto: Jô Folha)

Pelotas tem registrado uma série de fechamentos de estabelecimentos comerciais nos últimos meses. Recentemente, chamou a atenção dos pelotenses o encerramento das atividades da unidade da rede Marisa e do tradicional comércio de brinquedos Lojas França, ambas no Calçadão. Mais do que casos isolados, especialistas apontam que os fechamentos refletem mudanças nos hábitos de consumo e na dinâmica urbana do município. Apesar do cenário desafiador, o momento também abre espaço para novos formatos de negócio, políticas de estímulo e estratégias de desenvolvimento do comércio local.

Embora seja necessário considerar as particularidades de cada empresa, a economista e diretora de Economia da Associação Comercial de Pelotas (ACP), Cláudia Mendonça Lemos, afirma que não é possível tratar os fechamentos recentes como episódios isolados. Segundo ela, o comércio local passa por uma transição estrutural. “O comércio central vem sofrendo com a descentralização: novos polos nos bairros, como o Shopping, o Parque Una e a região da Dom Joaquim, além do avanço do e-commerce, alteraram o fluxo tradicional do Calçadão”, explica.

O conselheiro gestor da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Pelotas, Daniel Centeno, avalia que a situação resulta da combinação entre um cenário econômico mais apertado e um movimento natural de ajuste do mercado. “Alguns negócios encerram suas atividades, enquanto outros surgem com modelos mais atualizados”, pondera. Segundo ele, os mais afetados são os comércios tradicionais que dependem exclusivamente do consumo físico e não se adaptaram ao digital ou à experiência do cliente.

Funil de dificuldades

Entre os principais desafios enfrentados pelos empresários, Cláudia aponta aluguéis elevados, altos custos de manutenção de imóveis antigos, concorrência desorganizada com ambulantes, além de problemas de iluminação, limpeza e estacionamento no Centro Histórico. “Tudo isso afasta o consumidor que busca não apenas compras, mas também lazer”, afirma.

Centeno acrescenta a queda no poder de compra da população e as mudanças no comportamento do consumidor. “Quem não consegue se adaptar ou se organizar financeiramente acaba sentindo mais os impactos”, diz.

Estímulo ao comércio local

Para frear os fechamentos, a economista defende um esforço conjunto entre poder público e iniciativa privada. A revitalização do Centro, com foco em lazer e experiência, e a criação de políticas de incentivos fiscais para atrair grandes redes são apontadas como caminhos. “Atualmente, Pelotas não oferece esse tipo de incentivo, ao contrário de cidades como Porto Alegre e Rio Grande”, observa. Ela também destaca a importância da digitalização do pequeno comerciante.

Nesse contexto, a CDL atua com campanhas de valorização do comércio local, como a #PelotasEuComproAqui, além de eventos e diálogo com o poder público. Já a ACP exerce o papel de representação política e técnica dos empreendedores, atuando na articulação por melhorias em infraestrutura e segurança, além de investir em capacitação por meio de cursos e rodadas de negócios.

Vocações locais

Para quem pensa em empreender ou investir em Pelotas, os especialistas apontam algumas vocações econômicas do município:

  • Economia criativa, gastronomia e turismo: reconhecida como Cidade do Doce, Pelotas reúne cultura, patrimônio histórico e bens materiais e imateriais que favorecem o turismo de experiência;
  • Tecnologia e inovação: o ecossistema formado pelo Pelotas Parque Tecnológico e pelas universidades atrai jovens talentos e empresas;
  • Economia prateada: o envelhecimento da população amplia a demanda por clínicas, cuidados especializados e serviços de bem-estar;
  • Perfil do consumidor: público que valoriza qualidade, bom atendimento e identidade local.

Dicas para novos empreendedores

  • Planejamento: conhecer o mercado local, cuidar da gestão financeira e investir em atendimento e inovação;
  • Não empreender sozinho: buscar apoio, criar redes de vizinhança e colaboração e procurar entidades como CDL, ACP e Sebrae;
  • Adaptação: manter presença integrada no WhatsApp, no Instagram e na loja física;
  • Atendimento consultivo: oferecer uma experiência diferenciada para estimular o consumidor a optar pela compra presencial em vez da digital.

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