Governador entre números e câmeras

Opinião

Pedro Petrucci

Pedro Petrucci

Jornalista

Governador entre números e câmeras

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A agenda institucional do governador Eduardo Leite em Pelotas terminou em entrevista coletiva, quando o tema da segurança pública ocupou o centro da conversa por causa do contraste entre indicadores estaduais e um episódio recente de grande impacto local.

Nos balanços que o próprio governo vem divulgando, 2025 aparece como o “ano mais seguro da história” do Rio Grande do Sul em mortes violentas, com queda de 25% nos crimes violentos letais e intencionais. Além disso, um levantamento atribuído ao governo federal aponta queda de 141 para 80 nos óbitos por intervenção policial no Estado, o que significa redução de 43,2%, e recuo de 43,6% na taxa por 100 mil habitantes, de 1,26 para 0,71 entre 2024 e 2025.

É nesse cenário que Pelotas tenta processar a morte do produtor rural Marcos Norberg durante uma ação da Brigada Militar. O caso está sob apuração e ainda não tem conclusão formal, mas a sequência de informações públicas elevou a cobrança por transparência e por medidas de controle. Questionado pelo repórter Gabriel Motta, da Rádio Pelotense, Leite sustentou a resposta no rito institucional. Disse que “não é uma investigação feita por pessoas que estão interessadas em acomodar essa situação”, citou inquérito da Polícia Civil, Corregedoria da BM, acompanhamento do Ministério Público e posterior análise do Judiciário. Também afirmou que “ninguém vai absolver previamente qualquer um dos policiais e nem condenar a ação até que haja uma identificação do contexto”.

A fala delimita responsabilidade e tempo de apuração, mas ela também deixa um vazio político que foi percebido por parte do público que acompanha o caso. A presença do governador em Pelotas criou expectativa de anúncio objetivo sobre câmeras corporais no interior, porque o próprio governo tem apresentado esse equipamento como ferramenta de transparência e de redução de conflito em abordagens. Quando o governo escolhe responder apenas com o caminho investigativo, ele protege o devido processo e evita decisões sob pressão. Essa escolha, porém, mantém a discussão pública concentrada no que poderia reduzir risco antes do próximo caso, porque a confiança social não se recompõe só com a promessa de que haverá responsabilização depois.

Enquanto os números gerais seguem sendo apresentados como evidência de melhora, episódios locais de alta repercussão passam a funcionar como teste de credibilidade do discurso, e a falta de encaminhamento sobre medidas como câmeras corporais vira parte do fato político, porque muda o que a comunidade considera resposta suficiente neste momento.

O rumo do PP com Polo

Em entrevista à Rádio Pelotense, o deputado estadual Ernani Polo confirmou sua condição de pré-candidato ao governo do Estado e detalhou os ritos internos do Progressistas para 2026. Ele afirmou que a definição de candidaturas e alianças deve ocorrer no ambiente das convenções e das instâncias partidárias e criticou a antecipação de movimentos antes desse processo, ao tratar do debate interno que envolve a direção estadual comandada por Covatti Filho. Polo também disse que, se o partido optar por prévias, está preparado para disputar.

Ao situar sua trajetória como ex-secretário nos governos de José Ivo Sartori e Eduardo Leite, o deputado buscou associar a pré-candidatura à experiência administrativa e a uma leitura territorial mais ampla do Estado. Segundo ele, a passagem pela Secretaria de Desenvolvimento ampliou sua percepção sobre os potenciais da Zona Sul, tanto pelo eixo logístico quanto pela base produtiva e florestal. Nesse contexto, citou a chegada da CMPC como um vetor de oportunidades para a região, porque projetos desse porte tendem a puxar cadeia de fornecedores, demanda por serviços e pressão por infraestrutura, o que muda prioridades na agenda estadual.

Na entrevista, Polo defendeu que o Progressistas preserve o posicionamento de “direita moderada”, ponto que dialoga diretamente com a disputa de estratégia para 2026. Isso porque há setores do partido que defendem uma aproximação eleitoral com o Partido Liberal, que tem

Coronel Zucco como pré-candidato, enquanto outro campo sustenta que o PP precisa manter protagonismo e identidade próprios antes de definir alianças. Ao insistir no rito de decisão e ao aceitar a possibilidade de prévias, Polo sinaliza que a discussão em curso é sobre qual papel o Progressistas pretende ocupar no próximo ciclo político do Estado.

Articulação

O secretário municipal de Governo, Diego Gonçalves, e o vereador Carlos Júnior, do PSD, ex-presidente da Câmara, tiveram um encontro nesta sexta-feira. O movimento é lido internamente como um dos primeiros passos da nova articulação política do governo municipal, especialmente a partir da chegada de Gonçalves à pasta, com foco direto na relação cotidiana com a Câmara de Vereadores.

Em entrevista à Pelotense, o novo secretário afirmou que pretende estar mais presente no dia a dia do Legislativo e que essa será uma de suas funções centrais nesse “jogo de xadrez” entre Executivo e Câmara. A avaliação feita no entorno do prefeito Fernando Marroni é de que a sequência de derrotas em votações expôs a necessidade de reforçar a articulação política. Por isso, a recente troca de dois secretários, e a possibilidade de novos ajustes, é tratada como parte de uma estratégia para tentar reconstruir o diálogo com os vereadores, uma palavra recorrente em discursos, mas que agora passa a ser tratada como prioridade operacional.

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