Poucos temas dividem tanto as opiniões no grande palco das redes sociais quanto o Carnaval. As postagens recentes do Grupo A Hora mostram essa divisão: há quem ame e esteja ansioso pela folia e há quem odeie e condene a festa. Vai de cada um e tá tudo bem. Mas é visível que Pelotas, como uma cidade com veia cultural que pulsa fortemente desde sua fundação, precisa voltar a ter força nessa festa. É fazer a economia girar, estimular o turismo e os negócios envolvidos e, principalmente, recuperar um pouco da autoestima da população.
Não é pão e circo. É viver a cultura de uma cidade que já foi tida como “o segundo maior Carnaval do Brasil” e passou, nos últimos anos, tendo que comemorar a data fora de época por não conseguir concorrer com outras cidades da região, nem mesmo organizar-se minimamente para realizar o evento. E é importante lembrar que a festa vai muito além da passarela: os blocos nas ruas, as noites de grandes eventos nos clubes sociais, tão tradicionais na história pelotense. Há também todo o mercado agregado, das fantasias, da customização, da hotelaria, do consumo em bares, restaurantes e até do mercado de ambulantes.
Recuperar a força cultural não é virar a cara para a gritante necessidade de estimular outros negócios na cidade. Não faz sentido pensar que “é um, ou outro”. Sim, Pelotas precisa olhar para a industrialização, para atração de empresas, para a geração de empregos. Mas nada impede de fazer do Carnaval também um setor de negócios. Do nosso turismo. Claro, não vamos virar o Rio de Janeiro. Mas olhemos para o lado: São Lourenço do Sul e Jaguarão movimentam toda a sua economia, muito com pelotenses, por saberem valer-se de um período tradicional. Por qual motivo nós não podemos fazer disso uma maneira de atrair gente de fora, trazer dinheiro e lotar hotéis, pousadas, Airbnbs, restaurantes e bares?
A retomada na data certa é o primeiro passo para fortalecer o Carnaval de passarela. Há muito ainda que crescer. Mas quando uma cidade tem uma veia forte para um tema, desperdiçá-lo é perder dinheiro e possibilidade de negócios. Transformar tudo em fonte de crescimento é a saída para municípios do interior serem mais fortes. Vocações devem ser aproveitadas com inteligência.
