Há 140 anos
O velocípede surgiu em Pelotas em 1886, meses após aparecerem no município as primeiras bicicletas, antes mesmo da invenção do pneu, criado em 1888. A curiosidade é lembrada pelo historiador e cronista Mario Osorio Magalhães no livro História aos domingos.
As primeiras bicicletas, conforme artigo de Matias Albuquerque, publicado em 1953, foram adquiridas pelo Visconde de Souza Soares, para servir de diversão a quem frequentava o Parque Pelotense, no Fragata. Os veículos eram de segunda mão, informação que fez o autor supor que eles poderiam ter sido comprados de um circo. “Sua armação era metálica, as rodas, de madeira, eram chapeadas de ferro, seus pedais acionavam a roda anterior e elas tinham o comprimento de um metro e oitenta centímetros”, descreve Magalhães.
Por sua vez, o velocípede, que pertenceu a Bernardo da Nova Monteiro, tinha uma roda frontal de um metro e vinte de diâmetro, a de trás tinha 35 centímetros. O pedal movia a roda da frente. “O usuário subia nela correndo, depois de dar impulso e apoiar-se num suporte, que havia na rod
a traseira”.
Curiosidade e risadas
Em 1896 a comunidade local não escondia o assombro ao ver pelas ruas seis bicicletas da marca Clément, com pneus da fábrica Dunlop. Os proprietários eram: dois irmãos Leivas Leite, dois irmãos Simões Lopes e dois irmãos Souza Soares.

Primeiros veículos sobre duas rodas chegaram em Pelotas no século 19 (Foto: Reprodução)
Leopoldo e Miguel, filhos do Visconde português, dono do Parque Pelotense ou Souza Soares, estudavam em Rio Grande. Por lá também faziam sucesso ao saírem pelas ruas da cidade.
Sobre os passeios na cidade vizinha, o historiador relembra: “Acumulava-se gente nas portas das casas, dos bares, das lojas, dos armazéns, para admirar a novidade, mas se divertir a valer, também, com a voracidade dos cães, que se atiravam às pernas desses pioneiros do ciclismo”, relembra o historiador.
Desafios e desfile
Magalhães ainda recorda que em 1897, Carino de Souza apresentou um modelo da marca, La Française. Além do veículo, o comprador adquiriu dois trajes completos de ciclista. “Pouco depois surgiu a primeira ‘tandem’, ou ‘dupleta’, de grande comprimento e com dois selins.” Os irmãos relojoeiros de origem suíça, Le Coultre, eram os felizes proprietários.
O período também foi propício a adaptações, como a feita pelo mecânico Hermmann Von Huelsen, que aumentou a velocidade de sua bicicleta, “adaptando a ela uma pinha e uma roda dentada bem maiores que o normal”. O veículo foi utilizado para desafiar o campeão rio-grandino da época. Huelsen foi o vencedor do desafio, que ocorreu no Prado Pelotense. O mecânico também disputou uma corrida com um cavalo e também venceu.
Pelotas chegou a ter o Clube Ciclista, fundado em 14 de novembro de 1897, que teve como primeiro presidente o escritor João Simões Lopes Neto. Em fevereiro de 1898, foi promovido um desfile no qual o veículo do escritor de Contos gauchescos se destacou: “ostentava belíssima borboleta presa ao guidão de sua bicicleta”, de acordo com Carlos Reverbel, na biografia Um capitão da Guarda Nacional.
Fonte: livro História aos domingos, de Mario Osorio Magalhães; wikipedia.org
Há 50 anos
Depois da nova pista, Domingos de Almeida ganha retornos ligando as vias

Avenida começava a ganhar duas pistas (Foto: Divulgação)
A Secretaria Municipal de Obras e Viação de Pelotas executava os retornos que ligariam as duas pistas da avenida Domingos de Almeida, no bairro Areal. Os acessos, que estavam sendo construídos em pedra irregular, ligavam a antiga via à nova pista de blokret, na época com alguns trechos concluídos.
O titular da pasta, engenheiro Carlos Augusto Ackermann, disse que as turmas de trabalhadores das obras estavam executando a construção de seis retornos, que seriam implementados em locais estratégicos. “Os locais onde estão sendo executadas essas seis pequenas aberturas foram escolhidos após longo estudo e serão colocados em pontos estratégicos, permitindo o fácil translado para cada uma das pistas, assim como a travessia delas pelos veículos”, falou o secretário.
Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense