O aumento salarial a servidores do Congresso, aprovado a toque de caixa já na retomada do ano Legislativo, indica mais uma vez a desconexão da realidade que Brasília vive. Com impacto de R$ 790,4 milhões em 2026, em um mesmo ano que o próprio Congresso optou por cortar recursos da ciência e educação brasileira, é sinal de que a questão orçamentária raramente tem verdadeiro significado. O que pesa é sempre a questão política e os interesses próprios.
Além de mexer nos salários, foram reformuladas as gratificações e criados penduricalhos que concedem folgas por dias trabalhados, com possibilidade de indenização fora do teto do funcionalismo para alguns tipos de cargos. Ou seja, para as figuras de gabinete, ainda mais benesses. Para a população, a eterna preocupação com teto fiscal, com recursos destinados e com freios. Um país que deveria estar debatendo incessantemente sua industrialização, a atração de investimentos e a geração de emprego e renda, também para não precisar de tantos programas sociais, acaba preferindo discutir apenas o que melhor convém aos políticos e seu entorno.
É muito difícil comprar qualquer discurso quando se vê que a política nacional, em geral, pouco se importa com fatores fundamentais para o desenvolvimento social e econômico do país. As notícias que chegam de Brasília acabam empilhando temas como corrupção, brigas, ranço, troca de farpas, benefícios para a própria classe e pouquíssimo interesse em questões essenciais para que o país tenha um salto de qualidade de vida para as pessoas.
O bom disso tudo é que é ano eleitoral. E a população precisa manter em seu escopo a necessidade de eleger políticos que realmente tenham projetos. Mas, mais do que isso, políticos com quem possam contar e cobrar. Por isso, o Grupo A Hora bate tanto na importância da representação local. Caso contrário, Brasília sempre ficará parecendo esse local tão distante, que faz muito por si e, ao mesmo tempo, deixa as migalhas para o resto do país.
