Entre blocos, brilho e muita criatividade, a customização de abadás tem ganhado cada vez mais espaço no carnaval da região Sul. Estudante do curso de Design de Moda do IFSul–Câmpus CAVG, a jovem Camila Vechiato Cava transformou a paixão pela folia em trabalho e hoje vê suas criações tomarem conta das ruas nos dias de festa.
Acompanhe o trabalho de Camila em seu perfil pessoal (@camilavechiato) ou no perfil de seu ateliê (@usevechiato).
De onde surgiu essa tua ligação com os abadás?
Sempre fui uma grande fã de carnaval. Temos o Ziriguidum (em São Lourenço do Sul), que movimenta bastante toda a região. Eu fui por cinco anos seguidos ao carnaval lá. Quando comecei a faculdade de Moda, passei a costurar e fazer o meu próprio abadá. Também passei a produzir conteúdos para a internet, mostrando customizações e até ensinando como fazer essas adaptações em casa, sozinha. Com o tempo, as pessoas foram me conhecendo e me procurando para fazer customizações. Este já é o terceiro ano em que faço para outras pessoas. Nessa época do ano, a demanda é bem grande, porque temos vários blocos muito movimentados, como o Ziriguidum, o Praieiro, o Beijo Maldito, entre outros.
Em que momento a moda entrou na tua vida?
Na época da pandemia, eu estava muito em dúvida sobre o que fazer, foi justamente o período em que me formei no ensino médio. Sempre fui muito ligada à criatividade, mas a costura era algo totalmente novo para mim – eu nunca tinha costurado na vida. Quando entrei no curso, no final de 2021, comecei a costurar de fato. No início, eu tinha muita insegurança para fazer trabalhos para outras pessoas. Nos primeiros anos, acabei customizando mais para amigas e pessoas próximas. Mas é bem aquilo: tudo é prática. A gente precisa fazer, fazer e fazer para ir ganhando segurança. Ainda assim, gosto de trabalhar com um número máximo de encomendas, porque a demanda na costura é grande e exige bastante tempo e dedicação.
O carnaval tem ficado mais criativo e personalizado nos últimos anos?
Com o passar do tempo, a gente percebe muito esse crescimento. Ao longo desses cinco anos em que eu participei, dá para ver claramente o quanto aumentou a quantidade de pessoas nos blocos. E, com certeza, isso também se reflete nas customizações. As pessoas querem cada vez mais brilho, mais enfeites, mais detalhes. Existe uma vontade muito maior de se destacar e de viver o carnaval de forma ainda mais intensa. Tem pessoas que chegam com a ideia bem definida e tem outras que chegam sem ideia nenhuma, e aí a gente constrói juntas. A gente percebe muito que, dependendo da época ou do ano, alguns modelos acabam aparecendo mais de uma vez. Mas, ao mesmo tempo, tem muitas pessoas que criam a partir do próprio estilo.
Quanto tempo, em média, você leva para customizar um abadá?
Varia bastante. Tem modelos mais elaborados e outros mais simples. Em média, levo entre 45 minutos e uma hora e meia. O que tem acontecido bastante é a demanda por conjuntos. Isso, acaba dando um pouco mais de trabalho, porque, em vez de fazer uma peça, acabamos fazendo duas. Além disso, a gente trabalha com uma camiseta só, então é preciso encaixar bem os recortes para que saiam uma saia e um top. Esse planejamento exige um cuidado maior, mas o resultado costuma valer a pena.
Como é a tua rotina de trabalho durante a temporada de carnaval?
Eu trabalho com vagas de horário. Recebo as clientes e, quando esses horários se esgotam, as vagas se encerram. Claro que sempre acontece de alguma amiga aparecer de última hora e acabo abrindo uma exceção. Mas, no geral, tento concentrar os atendimentos nas duas primeiras semanas de janeiro. Nesse período, passo o dia inteiro tirando medidas e definindo o modelo que cada uma quer, então acabo não costurando. Trabalho com abadás até passar o Beijo Maldito, depois normalmente encerram os eventos de carnaval da região. Neste ano, não há mais vagas para customização de abadás para Ziriguidum, mas para o Beijo Maldito estou aceitando encomendas.
Como é ver o teu trabalho ganhar vida no meio da folia?
É muito legal. No ano passado mesmo, quando eu fui para o carnaval, eu passava pelas gurias que eu tinha customizado e comentava: “Olha só como tu tá linda”. É uma sensação muito boa, porque são várias pessoas vestindo algo que eu fiz, que passou pelas minhas mãos. Ver esses abadás na rua, no meio da folia, me dá um orgulho enorme. Eu adoro, acho muito especial.