A energia solar tem se tornado cada vez mais presente em residências, comércios, empresas e em instituições públicas em todo o país. Além de ser uma alternativa sustentável, a tecnologia se consolida como um investimento financeiro de médio e longo prazo.
Segundo Gerson Soares, proprietário da Energy Sun Pel, empresa especializada em sistemas fotovoltaicos, ao optar pela energia solar, o consumidor não está apenas comprando um serviço, mas aplicando recursos em uma fonte própria de geração. “É como produzir algo com matéria-prima gratuita. A energia vem do sol e o retorno desse investimento volta cada vez mais rápido para o bolso”, explica. Apesar do efeito não ser percebido imediatamente no primeiro mês, devido ao período de leitura da concessionária, o retorno financeiro costuma aparecer a partir do segundo mês, quando toda a energia gerada passa a ser compensada na conta de luz.
Ainda conforme Soares, a tecnologia é acessível a diferentes perfis de consumidores. Sistemas podem ser instalados em casas, comércios, empresas e até apartamentos, variando conforme a demanda de consumo. Além de reduzir os gastos mensais, a instalação valoriza o imóvel, funcionando como uma espécie de reforma permanente.
Parque Tecnológico de Pelotas aposta em energia limpa
Um exemplo desse uso institucional é o Pelotas Parque Tecnológico. Conforme a diretora-executiva da instituição, Rosâni Ribeiro, a usina de minigeração solar fotovoltaica foi implantada em outubro de 2022 no prédio do Parque e conta com potência de geração de 78,4 quilowatts-pico. A iniciativa integra o projeto Pelotas Parque Sustentável, que busca incentivar práticas voltadas à sustentabilidade ambiental e à redução de custos a longo prazo.
Atualmente, o Parque Tecnológico possui 216 placas solares instaladas, dispostas sobre o estacionamento e funcionando também como cobertura para os veículos. A energia gerada supre entre 30% e 40% do consumo total da área de uso coletivo, resultando em uma redução aproximada de 40% na conta de luz.
Além da economia, os impactos ambientais também são destacados. Dados do aplicativo de monitoramento apontam que, entre outubro de 2022 e janeiro de 2026, a geração de energia solar no local equivale à redução de aproximadamente 294,9 toneladas de dióxido de carbono, 118,3 toneladas de carvão e 16.270 metros quadrados de desmatamento evitado.
Segundo Rosâni Ribeiro, até o momento não foram identificados pontos negativos no projeto. Pelo contrário, a proposta é ampliar a área de geração. O projeto já aprovado pela distribuidora permite o acréscimo de mais 106 placas solares, representando um aumento de cerca de 50% na capacidade de geração. A instituição segue buscando novos recursos para viabilizar essa expansão.
Experiência no interior de Pelotas confirma vantagens do sistema
A experiência concreta desse avanço também pode ser observada no interior de Pelotas. O professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), na área de alimentos e agronomia, Valdecir Carlos Ferri, utiliza energia solar há seis anos em sua residência, localizada na Colônia Santa Eulália. A decisão de investir no sistema fotovoltaico foi motivada por três fatores principais: a preocupação ambiental, o aumento da acessibilidade da tecnologia e o retorno econômico.
Segundo Ferri, o sistema instalado conta com dez placas solares, número que atendia plenamente a demanda da residência no momento da instalação.
Atualmente, no entanto, ele avalia que a mesma geração poderia ser obtida com menos placas, em função do avanço tecnológico e da maior eficiência dos equipamentos disponíveis no mercado. “Hoje, os sistemas evoluíram bastante, tanto em eficiência quanto em controle”, observa.
Os resultados financeiros superaram as expectativas iniciais. A estimativa era de que o investimento se pagasse em até dois anos e meio, mas o retorno ocorreu em apenas dois anos. Desde então, a conta de energia elétrica passou a registrar redução de 100% no consumo, restando apenas o pagamento das taxas obrigatórias à distribuidora. Ferri destaca ainda que, em dias de forte incidência solar, parte da energia é consumida diretamente na propriedade, sem necessidade de passar pela rede, o que amplia a economia.
