Safra do camarão inicia na Lagoa dos Patos com baixa disponibilidade

crustáceo

Safra do camarão inicia na Lagoa dos Patos com baixa disponibilidade

Escassez nas redes e preços altos nas bancas marcam os primeiros dias da temporada

Por

Safra do camarão inicia na Lagoa dos Patos com baixa disponibilidade
População já procura o produto nas peixarias, mas ainda não vê boa oferta (Foto: Jô Folha)

A abertura oficial da safra do camarão na Zona Sul do Estado, iniciada no último domingo (1º), ainda não refletiu em redes cheias. Nas Colônias Z-3, em Pelotas, e Z-1, em Rio Grande, o cenário é de cautela: o crustáceo aparece em pequenas quantidades, com tamanho reduzido e sob o temor de que as chuvas previstas para os próximos dias prejudiquem ainda mais a captura.

Para o pescador artesanal Michel de Freitas, da Colônia Z-3, o otimismo passa longe desta temporada. Ele relata que tanto o camarão quanto a pesca da tainha e da corvina enfrentam dificuldades. “Está bem ruim. Faz cerca de três semanas que a gente ganha, quando muito, um real para cobrir as despesas”, desabafa.

A falta de movimento é visível na orla. Segundo Freitas, em anos anteriores, o camarão era visto facilmente no raso; hoje, as águas estão tomadas por lambaris. “Se tivesse camarão, nós estaríamos pescando. As peixarias também não têm movimento, não tem gente descascando camarão. Está tudo muito parado”, completa, atribuindo o problema ao excesso de chuva e à demora no processo de salga da Lagoa dos Patos.

Em Rio Grande, o presidente da Colônia Z-1, Nilton Machado, aponta outros culpados pela escassez. Além dos fatores climáticos, ele destaca o impacto da pesca predatória realizada antes do período permitido. “Os pescadores licenciados respeitam o defeso, enquanto a pesca ilegal é feita por quem não é licenciado, e a fiscalização faz vista grossa”, critica.

Além disso, o representante aponta para a falta de flexibilidade na data de liberação da safra. “Teria que ser liberada antes. Muito camarão grande foi embora”.

Reflexo nas bancas

A situação nas redes de pesca reflete diretamente nas vendas das peixarias. No comércio de Liane de Mello, a disponibilidade de camarão ainda é baixa. “Tem pouco e ainda muito miúdo. Estamos esperando crescer um pouco para poder comprar e vender melhor”, relata. Apesar da localização na Colônia Z-3, a peixaria está vendendo crustáceos apanhados no Rio Grande. A comerciante também nota diferença de quantidade e tamanho em outros tipos de frutos do mar.

Michel diz que há maior oferta de lambaris do que do crustáceo em Pelotas (Foto: Jô Folha)

No centro de Pelotas, as peixarias do Mercado Central apresentam um cenário parecido. Na banca de Celi Dias, os camarões foram adquiridos de pescadores locais e ainda variam entre pequenos e médios, vendidos com casca ou sem. Ela relata que ainda há dificuldade na compra do produto. “Esperamos que na semana que vem melhore um pouco, se não vier muita chuva”, afirma.

Já na banca de Clarice Fonseca, os crustáceos foram trazidos do Rio Grande e também se encaixam no tamanho médio, sendo vendidos limpos ou com casca. “Temos buscado camarão lá. A expectativa é que neste fim de semana melhore um pouco. Há previsão de uma onda de calor, e isso ajuda bastante”, explica.

No Mercado Central, os valores do quilo do camarão sem casca variam entre R$ 59 e R$ 85. Já o camarão com casca está em torno de R$ 38, e o sem cabeça R$ 42. Diretamente na Colônia Z-3 podem ser encontrados preços um pouco mais baixos.

Acompanhe
nossas
redes sociais