A duplicação da BR-116, entre Guaíba e Pelotas, deverá ser concluída em até dois anos, com entrega final prevista para 2027. A afirmação foi feita pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, na última sexta-feira, durante a inauguração da nova ponte sobre o rio Camaquã, na divisa entre os municípios de Cristal e Camaquã.
Segundo o ministro, restam atualmente 31 quilômetros de pista simples no trecho sul da rodovia. Ele afirmou que o governo federal trabalha com um ritmo de investimento maior do que em gestões anteriores e garantiu que todas as obras, como pontes, viadutos e drenagens, devem ser concluídas ainda neste ano.
“A gente entrega obra. Esse ritmo é novo”, disse Renan Filho, ao destacar que o volume de recursos aplicados hoje no Rio Grande do Sul é, segundo ele, quatro vezes maior do que no governo anterior. O ministro também citou a entrega da nova ponte sobre o rio Camaquã como um marco importante para destravar as próximas frentes de trabalho.
14 quilômetros por ano
As obras de duplicação da BR-116 começaram em agosto de 2012. Desde então, foram concluídos cerca de 180 quilômetros dos 211 previstos no projeto, o que representa aproximadamente 86% do total. Ao longo de 13 anos, a média de avanço foi de cerca de 14 quilômetros duplicados por ano.
Mantido o ritmo praticado até hoje, os 31 quilômetros restantes poderiam ser executados em pouco mais de dois anos, o que torna a projeção de conclusão em 2027 compatível com a média registrada desde o início da obra. Na prática, isso significa um avanço anual próximo de 7% deste trecho ainda pendente.
Além da segurança viária, o ministro destacou os impactos econômicos da duplicação, especialmente para o transporte de cargas e o deslocamento entre municípios da Zona Sul. Segundo ele, a entrega da maior “obra de arte” do trecho – a ponte sobre o Camaquã – indica que o projeto entrou em sua fase derradeira.
Indignação de lideranças locais
Para o vice-presidente de Infraestrutura da Federasul, Antônio Carlos Bacchieri, a fala do ministro confirma um cenário de má gestão da obra. Ele destaca que, apesar de algumas entregas pontuais, na BR-116 Sul ainda há trechos muito atrasados, inclusive sem a estrutura básica da rodovia.
“Isso prova uma total incapacidade de fazer a gestão dos recursos públicos. Aprontam pontes e esquecem trechos importantes, como a chegada a Porto Alegre, especialmente entre Guaíba e Barra do Ribeiro, além do trevo de Tapes”, critica Bacchieri.
Para o empresário rio-grandino, embora reste pouca quilometragem para a conclusão total, o problema está na complexidade do que ainda falta executar. Diante desse cenário, ele diz não ter dúvidas de que a obra só será finalizada no final do prazo indicado pelo ministro.
O presidente da Associação Comercial de Pelotas (ACP), Fabrício Cagol, considera excessivo o prazo de até dois anos para a conclusão da duplicação da BR-116. Segundo ele, apesar de faltar cerca de 15% da obra, os trechos pendentes são estratégicos e concentram grande fluxo de veículos.
“Achamos muito demasiado esse prazo. O que falta são trechos específicos e importantes, como os acessos a Tapes e Camaquã, além do trecho entre Guaíba e Barra do Ribeiro, que está bastante atrasado”, afirma.
Cagol destaca que a conclusão da duplicação é fundamental para a segurança e para a economia da região. “São pontos sensíveis, principalmente nas entradas das cidades, com grande circulação de pessoas e caminhões. A obra precisa ser concluída o quanto antes”, diz. A ACP pretende intensificar a mobilização junto a entidades e lideranças políticas para tentar reduzir o prazo anunciado.
Apesar do avanço, a duplicação da BR-116 segue como uma das obras de infraestrutura mais longas da história recente do Rio Grande do Sul. O processo deve atravessar pelo menos cinco mandatos presidenciais, além de diferentes gerações de usuários da rodovia.
