É ano eleitoral. E, como todo ano eleitoral, ele vem acompanhado de um asterisco perigoso. Praticamente todo mundo abre esse parêntese para fazer uma declaração sobre projeções de investimentos, sejam públicos ou privados, para prever um cenário econômico ou mesmo para vislumbrar ações do poder público. Em Brasília, por exemplo, o governo federal elencou uma série de ações que precisam ser feitas esse ano e as próprias figuras políticas e comentaristas de imprensa correram para lembrar de colocar esse porém.
E é aí que entram alguns dos interesses fundamentais da Zona Sul do Estado. Mais especificamente, no que envolve o avanço do Polo Naval e a logística da Zona Sul. Em um mês, acaba o contrato com a Ecovias Sul e o governo assume. Isso está afirmado e reafirmado pelo Ministério dos Transportes. Porém, os atrasos já preocupam. As audiências públicas para o próximo edital, a ser lançado em maio, ainda não foram feitas. Se forem feitas com pressa, corremos o risco de termos outra concessão capenga. Se for feito com calma, o edital atrasa, o leilão também e a próxima administradora vai tomar conta das rodovias lá pelos idos de 2027.
Outro ponto afirmado por Renan Filho na última sexta-feira foi que em até dois anos, a duplicação da BR-116 termina. Ora, é o tipo de frase que precisa ser dita de cabeça baixa e em tom envergonhado. O trecho de pouco mais de 200km completará 15 anos em obras e irá para mais um mandato presidencial sem ser concluído. Vislumbra-se, portanto, que os 15% que faltam sejam concluídos só em 2028. Um absurdo.
Atrasos são vistos como algo comum no que tange a administração pública e a normalização disso é um câncer para o país. Esse ano vamos novamente às urnas e não podemos normalizar viver em uma região que fica de braços cruzados esperando a “benção” de algum investimento lá de vez em quando. É preciso estratégia, cronogramas e força. Isso se faz, também, com maior representatividade política para elevar a pressão lá na Capital Federal.
