Dois temas da segurança pública nortearam o debate gaúcho ao longo do primeiro mês do ano: a violência policial e os feminicídios. Em um Estado que, mês após mês, celebra a redução de índices de criminalidade, isso demonstra uma dualidade impressionante. E a resposta para os dois grandes problemas está na mudança de comportamento, da mentalidade coletiva. Pontos que são constantemente condenados em discursos de políticos e lideranças de todas as frentes, mas que só serão resolvidos com a implementação de ações práticas e estratégicas. Falar disso é importante, mas agir é muito mais.
O governo do Estado iniciou alguns movimentos. O governador orientou uma mudança de postura, incluindo com movimento de peças na administração da Brigada Militar, após os diversos casos de violência neste início de ano, incluindo a morte do agricultor Marcos Nörnberg em Pelotas. Só que Estado deve implementar também políticas de segurança que, de fato, mudem a mentalidade e o comportamento. É sabido que policiais vivem sob uma pressão constante, sob estresse contínuo e precisam de uma alteração de cultura, inclusive na formação do profissional. E isso deve ser acompanhado de melhores salários, com educação, com cargas horárias e infraestrutura decentes. Mas também rigidez na avaliação e no combate a desvios de comportamento. É um combo.
Outra frente é a questão dos feminicídios. Na sexta-feira (30), foi anunciado um espaço de acolhimento, inédito no Estado, que será implementado para receber vítimas em Pelotas. É fundamental. Mas o mundo ideal envolve atacar o problema antes de acontecer, não depois. Isso vem com mudança social. Em janeiro, mais de uma dezena de mulheres foram mortas no Estado por simplesmente serem mulheres..
Sabemos que dia após dia isso se repete no Brasil, que tem uma raiz machista muito forte. Formar as próximas gerações para que isso não se repita é fundamental, bem como a estruturação de políticas de proteção.
Problemas estruturais se resolvem com mudanças estruturais. No discurso todo mundo condena. Agir para abalar essas raízes e criar uma nova mentalidade é desafiador e requer agir a curto, médio e longo prazo. Esse é um desafio que precisa envolver políticos, educadores, lideranças e contaminar a sociedade.