Quem manda no ritmo da Câmara em 2026?

Opinião

Pedro Petrucci

Pedro Petrucci

Jornalista

Quem manda no ritmo da Câmara em 2026?

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A Câmara de Vereadores retoma as sessões ordinárias na próxima terça-feira, mas o funcionamento real do Legislativo ao longo de 2026 está sendo definido antes, nos bastidores. O fim de semana tende a ser de articulações para fechar o desenho do Colégio de Líderes, etapa que antecede a formação das comissões permanentes e que organiza o poder interno da Casa.

O Regimento determina que cada bancada indique um líder no início da Sessão Legislativa anual. É esse líder quem formaliza as indicações do partido para as comissões. Por isso, nas bancadas com apenas um vereador, a liderança é automática. Já nos partidos com mais cadeiras, a escolha vira um movimento político central, porque o líder passa a ser a voz formal do grupo e a peça que negocia espaços, votos e prioridades.

No PP, a definição envolve um equilíbrio. A bancada reúne Michel Promove, presidente da Câmara, Arthur Hallal, integrante da Mesa Diretora, e Rafael Amaral. A escolha do líder indica como o partido pretende se organizar internamente e qual grau de proximidade terá com a condução da Casa.

No PSDB, o debate é mais explícito. Tauã Ney foi o líder em 2025 e, no final do ano, se aproximou de pautas de oposição. Marisa Schwarzer reivindica a liderança em 2026, apoiada em um acordo verbal de alternância e em uma relação mais alinhada à situação. Como essa alternância não é regra regimental, a decisão depende apenas do acordo interno, o que mantém a definição em aberto.

No PSD, com quatro cadeiras, a liderança também carrega sinalização política. A bancada inclui Daniel Fonseca, identificado com uma atuação mais oposicionista, e nomes como Carlos Júnior e Antônio Peixoto, associados a uma leitura mais centrista do partido, em sintonia com lideranças estaduais como Paula Mascarenhas. Quem assumir a liderança indica qual linha vai prevalecer.

No União Brasil, a expectativa é saber se Cristiano Silva será mantido como líder. Já nas bancadas de um vereador, como Júlio Moura (Rede), Paulo Coitinho (Cidadania) e Cesinha (PSB), a liderança é automática, salvo mudança de composição. Nos bastidores, pesa a possibilidade de Coitinho aceitar convite do prefeito Fernando Marroni para o Executivo, o que dissolveria a bancada do Cidadania e alteraria o tabuleiro.

Esse desenho importa porque, na sequência imediata, serão eleitas as comissões. CCJ e Orçamento concentram poder porque todos os projetos passam por elas. A CCJ, em especial, define se uma matéria pode tramitar e em que ritmo. Por isso, a oposição se articula para manter Cesinha (PSB) na presidência da comissão, cargo que ocupou em 2025 e pretende conservar em 2026. Do outro lado, a base do governo trabalha para viabilizar Arthur Hallal (PP) como alternativa. A definição do Colégio de Líderes neste fim de semana ajuda a explicar essa disputa e antecipa quem terá influência direta sobre o tempo das decisões da Câmara ao longo de todo o ano.

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