Pelotas será sede de abrigamento para mulheres em risco

5ª região

Pelotas será sede de abrigamento para mulheres em risco

As 12 vagas, com investimento de quase R$ 650 mil anuais, foram anunciadas pela secretária Fábia Richter durante reunião da Azonasul.

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Atualizado sexta-feira,
30 de Janeiro de 2026 às 13:30

Pelotas será sede de abrigamento para mulheres em risco
Secretária Fábia Richter (Foto: Cíntia Piegas)

O Rio Grande do Sul lidera o ranking nacional de mortes de mulheres em 2026, com 11 casos registrados antes do fim de janeiro. O grave cenário levou ao anúncio, pela Secretaria Estadual da Mulher, de um investimento de R$ 6,8 milhões em abrigamento para mulheres em situação de risco em nove regiões, durante a reunião da Azonasul, realizada na 42ª Feovelha. A estrutura mais avançada está em Pelotas, que sediará a quinta regional, com investimento anual de R$ 650 mil.

Com a proximidade do Carnaval, a secretária lembra que não existe um perfil único de agressor, mas há um padrão de violência emocional ligado à incapacidade de lidar com frustrações. “O problema ultrapassa a segurança pública e exige ações integradas nas áreas da saúde, assistência social, educação, acolhimento e segurança, com atuação preventiva nos municípios”, afirmou.

A secretária defende que a política para as mulheres seja prioridade dos prefeitos, alertando que o adoecimento emocional da sociedade, agravado pela ansiedade, excesso de informações e relações violentas, contribui para o aumento dos casos. “Não é só dar remédio. É preciso enxergar as pessoas e suas particularidades”, destacou.

Entre as medidas já em andamento está a criação de pontos focais municipais, que funcionarão como referência para a Brigada Militar e a Polícia Civil em situações de violência doméstica. Esses pontos deverão articular informações com agentes comunitários de saúde, escolas, assistência social e o ambiente de trabalho da vítima, ampliando a capacidade de prevenção.

O que é o projeto?

O investimento de R$ 6,8 milhões prevê a criação de 126 vagas de abrigamento para mulheres em risco, distribuídas em nove regiões funcionais do Estado. Na Região Sul, com sede em Pelotas, serão disponibilizadas 12 vagas, além de 15 vagas excepcionais de alta complexidade, destinadas a casos específicos, como mulheres com filhos adultos com deficiência ou situações envolvendo facções criminosas.

A secretária também defende a criação, nos municípios, de ao menos uma coordenadoria ou organismo público de proteção à mulher, mesmo onde não houver secretaria específica, reforçando que é possível mudar essa realidade com políticas públicas municipais articuladas e efetivas.

Denúncias

Com a proximidade do Carnaval, autoridades e órgãos de segurança pública intensificam as ações de prevenção à violência contra mulheres e meninas. Em Pelotas, quando os blocos ocupam as ruas durante a folia, a principal estratégia será a retomada da campanha Não é Não, que busca coibir situações de assédio e violência de gênero em ambientes festivos.

Somente em janeiro, foram registradas três tentativas de feminicídio e quatro casos de estupro. Ao todo, houve 84 registros de lesão corporal e 138 ameaças. Em meio à maioria dos foliões que busca diversão, uma parcela ainda confunde brincadeira com agressão, resultando em danos físicos e psicológicos às vítimas.

No âmbito nacional, o Ministério das Mulheres lançou a campanha de Carnaval 2026 “Se liga ou eu ligo 180”, voltada à proteção das mulheres e ao enfrentamento da importunação sexual e das violências de gênero durante a maior festa popular do país. A iniciativa se estrutura em três eixos: o direito das mulheres à festa e ao espaço público; a afirmação de que violência não faz parte do Carnaval; e a responsabilidade coletiva no enfrentamento ao assédio.

A vice-prefeita e prefeita em exercício de Pelotas, Daniela Brizolara, reforçou a necessidade do envolvimento coletivo no enfrentamento à violência. Segundo ela, a criação da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres representa um avanço, mas as ações do poder público só serão eficazes com o comprometimento de toda a sociedade.

Em Pelotas, a campanha Não é Não será aplicada durante o Carnaval 2026 com ações nos blocos de rua e na passarela do samba. A Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (SMPM), em parceria com a Secretaria de Comunicação (Secom), distribuirá panfletos informativos e adesivos, além de fixar cartazes em pontos de grande circulação, divulgando mensagens de conscientização e canais de denúncia. Na entrada das escolas de samba, faixas com os dizeres “Feminicídio Zero” reforçarão o compromisso com a proteção da vida das mulheres.

Canais de denúncia e apoio

Central de Atendimento à Mulher: 180
Brigada Militar: 190
Guarda Municipal: 153
Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM): (53) 3310-8181
Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM): (53) 3199-0672
WhatsApp: (53) 99186-0475

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