A nossa primeira vitória a partir de uma competição se dá por meio de uma corrida instintiva do espermatozóide até o óvulo. É assim, como se fosse uma piada contada em uma mesa de bar, que Josh Safdie sublinha o tom de Marty Supreme (2025) — seu primeiro filme sem dividir a direção com o irmão Benny Safdie. Na trama, conhecemos Marty Mauser (o fenômeno Timothée Chalamet), um rapaz judeu que vive na Nova York dos anos 1950 vendendo sapatos. Mas isso dura pouco, pois o que ele quer mesmo é se livrar dessa estrutura para correr atrás de seu maior sonho: ser o maior astro do tênis de mesa.
Mas sonhar alto é pouco: Marty quer agir. Por vezes, o tempo nem parece ser seu inimigo; é quase como um comparsa, mesmo quando nada dá certo. Mauser — ou Supreme, como são nomeadas as bolas com as quais joga — vive dias de Sísifo. Quando se aproxima de seu objetivo, algo ocorre e o coloca de volta à estaca zero. É assim que se desenvolve a narrativa desse personagem que pouco gera empatia e faz com que todos torçam contra ele. Sua arrogância, prepotência e inconsequência são retumbantes. Ainda assim, é praticamente impossível ficar alheio ao que Safdie propõe. Até onde a teimosia de Marty o levará e o que — e quem — mais ele irá arrastar consigo?
Entre amantes, amizades e desavenças, surgem performances excepcionais, como a da revelação Odessa A’zion e a de Gwyneth Paltrow — no papel de uma atriz decadente que vê seu caminho cruzar com o de Marty e que protagoniza um dos diálogos mais interessantes do roteiro. Já Chalamet brilha com naturalidade em um papel que amadurece sua figura constantemente juvenil, dificultando o páreo para Wagner Moura na corrida pelo Oscar.
Ao final, a resposta de Safdie e do co-roteirista Ronald Bronstein, em meio a uma narrativa de velocidade intensa, ares do cinema norte-americano dos anos 1970 e diálogos hilários, encontra-se no resultado daquela corrida fecundativa inicial. Um encerramento de sabor agridoce, mas que reúne vencedores à sua maneira — um atropelado pelo mundo contra o qual lutou e outro que acaba de chegar a um mundo ainda mais competitivo.