“Meu maior objetivo no projeto é criar seres humanos do bem, tirar crianças das ruas”

Abre aspas

“Meu maior objetivo no projeto é criar seres humanos do bem, tirar crianças das ruas”

Jonathan Caldeira - Treinador e idealizador do projeto Águias Futebol Clube

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Atualizado sexta-feira,
30 de Janeiro de 2026 às 10:50

“Meu maior objetivo no projeto é criar seres humanos do bem, tirar crianças das ruas”
Jhow fundou o clube em 2023. (Foto: Arquivo pessoal)

Pensando em ampliar o papel socioeducativo do esporte, Jonathan Caldeira, conhecido como Jhow, iniciou o projeto Águias Futebol Clube, no bairro Areal, em Pelotas, no ano de 2023. Com a ajuda de uma amiga, começou a treinar crianças de várias faixas etárias e dos bairros no entorno, em uma praça pública do Obelisco, com o objetivo de oferecer uma nova perspectiva de vida, alimentar sonhos e tirar os jovens da marginalidade, afastando-os do convívio nas ruas.

Hoje o projeto conta com cerca de 80 crianças, mas enfrenta dificuldades como a falta de recursos financeiros e de estrutura. Ainda assim, a vontade de vencer para além das quadras, move o sonho do Águias. Aqueles que quiserem contribuir com o projeto, podem entrar em contato por meio do telefone (53) 98412-3931, ou pelo instagram @aguias_f.c23.

Como teve início o Águias Futebol Clube?

O projeto começou na comunidade onde eu me criei, no Areal. Esse sonho começou na minha infância. Sempre joguei bola, desde os meus oito ou nove anos, e sempre tive na minha cabeça que, pra poder estar dentro de um time, precisava estar dentro de uma escolinha, pelo menos quando eu era criança. Eu não lembro de projetos assim dentro da minha comunidade. Via vários amigos meus que jogavam, mas que também não tinham dinheiro. Então, quando abri o projeto, junto com a Samira, quis chamar de “Águias”, porque uma águia nunca recua, ela apenas se prepara para decolar. Abri o projeto com a intenção de que todas as crianças, independente de suas condições, pudessem ter acesso aos treinamentos e jogos.

Quais foram as dificuldades no começo?

Começamos em uma quadra pública, lá no Obelisco, que era no residencial Domingos de Almeida, mas era aberto e essa quadra poderia ser usada. Os treinos começaram a fluir. A gente não tinha cone, não tinha bola, não tinha colete, não tinha nada. Começamos a postar uns vídeos e o pessoal começou a ajudar. Teve bastante gente que ajudou no começo. Porém, quando chegava o dia de amistoso, a gente jogava de colete e fazia um número com fita atrás, uma fita branca, porque a gente não tinha camisa naquela época. Aconteceu muita coisa nesse meio tempo. Conseguimos um patrocínio de 12 camisas, mas na época eram umas 60 crianças. As crianças saíam de um jogo pra ir pro outro com a camisa suada, sabe? Porque era o que a gente tinha, conseguimos essas camisas por causa de um dos pais que forneceu.

Em 2024 eu acabei ficando sozinho. A Samira foi fazer faculdade em Santa Catarina e eu segui aqui tocando o projeto. Hoje concílio a faculdade, trabalho e o projeto na minha vida. O nosso projeto cresceu, nós participamos de várias competições no ano de 2024. Hoje nós atendemos crianças do Dunas, Vasco Pires, Obelisco, Darcy Ribeiro, Arial Fundo, Jardim Europa.

Como está o projeto no momento e qual seu maior objetivo com ele?

Em 2024 a gente já não tinha estrutura para competir e ser campeão, mas 2025 já veio cheio de bênçãos. Fomos campeão duas vezes, com o sub-11 e sub-13. O meu maior objetivo no projeto é criar seres humanos do bem, tirar crianças das ruas e afastar elas do crime. Hoje em dia eu estou correndo atrás para conseguir dois professores voluntários para nos dar um apoio no sábado, duas vezes no mês. A gente tem um espaço de society que a gente treina, tem banheiro, tem água, e não tinha nada disso tinha lá no começo.

O que tu imaginas para o futuro do Águias?

Eu imagino eles com um uniforme de treino, sabe? Imagino eles tendo aula todos os sábados antes do treino. Eu imagino eles tudo com chuteirinha. Eu imagino eles podendo ter um ônibus para buscar em suas casas. Eu quero trazer crianças do Getúlio, Navegantes, Pestano, Arco-íris, do Barro Duro. Meu maior sonho é ter um ônibus para poder levar eles para o campeonato, para poder fazer uma viagem com eles. Porque outra dificuldade também é o transporte. Imagino o projeto com muita criança, tirar vários deles das ruas. Eu quero muito ver eles sendo jogadores profissionais, sabe? Que eles realizem o sonho deles e, o principal, que se afastem das drogas, do crime, que tenham uma família e sejam pessoas de bem.

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