Depois de quase duas semanas de intensa atividade artística e formativa, o 14º Festival Internacional Sesc de Música chega ao fim nesta sexta-feira (30) em Pelotas, reafirmando sua relevância no cenário da música de concerto da América Latina. Desde o dia 19, cerca de 400 músicos participaram da edição 2026 do evento, que reuniu instrumentistas, compositores e cantores em diferentes estágios de formação e profissionais já atuantes no mercado, todos imersos em uma rotina de aulas, ensaios e apresentações, que nesta edição chegou ao número recorde de 115 atividades artísticas em diferentes pontos da cidade. Música de qualidade chegando ao público de forma gratuita.
O eixo formativo é um dos pilares do festival, que contou com 59 professores de alto nível artístico e acadêmico. O corpo docente reuniu representantes de 12 nacionalidades, Alemanha, Argentina, Bielorrússia, Brasil, Bulgária, Canadá, Espanha, Itália, Japão, Portugal, Romênia e Rússia, consolidando o caráter internacional do encontro e proporcionando uma troca intensa de experiências.
A programação do último dia começa às 10h, com recital da Orquestra Sesc Brasil no auditório da Universidade Católica de Pelotas (UCPel). Ao longo do dia, o Festival ainda promove intervenções musicais em espaços do comércio da cidade, mantendo a proposta de aproximar a música de concerto do cotidiano urbano.
Consolidação dos processos
O encerramento oficial ocorre, como uma tradição destas 14 edições, no Largo do Mercado Central, a partir das 20h, em um espetáculo ao ar livre protagonizado pela Orquestra Sinfônica Acadêmica. A formação é composta por alunos do festival, sob a regência do maestro Evandro Matté, diretor artístico do evento.
Para Matté, a consolidação do festival é perceptível a cada edição. “Os processos vão se solidificando de um ano para o outro. É estudo de espaço, organização de equipe. O grande segredo é fazer com que o ano seguinte seja sempre melhor que o anterior”, avalia.
Essa dedicação das equipes do Sesc-RS resulta no interesse de qualificados jovens músicos. Segundo o maestro, o nível artístico destes participantes tem crescido de forma consistente, o que permite confiar a eles o concerto de encerramento, considerado um termômetro da qualidade do evento. No palco, serão cerca de 90 músicos da orquestra, além de um grande contingente de convidados: o Grupo Ballet de Pelotas, da Escola de Ballet Dicléa Ferreira de Souza, o Grupo de Street Dance, de Pedrinho Festa, de Bento Gonçalves, e o coral da Sociedade Pelotense Música pela Música, somando quase 200 participantes.
“A gente tem uma homenagem à história do balé de Dicléa. Então aí nós vamos fazer Vivaldi com elas. A ideia de trazer outras linguagens para a música, por isso está vindo também um grupo de hip-hop, de Bento Gonçalves”, explica o maestro. O Grupo Ballet de Pelotas adaptou um trecho do espetáculo autoral Kyklos, com coreografia de Daniela Souza e Victor Medronha.
Repertório de concerto
O repertório reflete a diversidade de linguagens e a proposta inclusiva do concerto final, pensado para um público amplo e heterogêneo. Sem perder de vista a necessidade de se ter nesta seleção, obras de difícil execução para a orquestra.
“É importante sempre ter no encerramento do Festival alguma obra de demanda dos alunos. Eles vêm para o Festival para ter oportunidade de executar grandes obras de concerto”, explica. Além dessas composições consideradas mais desafiadoras para uma orquestra, o repertório ainda será composto por homenagens e experimentações. Entre elas, a celebração dos 120 anos de nascimento de Radamés Gnattali e Astor Piazzola.
Novidade deste ano
Outro destaque desta edição foi a criação do Lounge do Festival, espaço informal de convivência e apresentações espontâneas. Foi idealizado pela direção do Sesc e instalado pela rua 15 de Novembro, junto ao Mercado Central.
O local tornou-se ponto de encontro entre alunos, professores e público, ampliando as possibilidades de troca artística fora das salas de aula e dos palcos tradicionais. “Estava faltando isso. Acho que foi uma ideia brilhante do pessoal da direção do Sesc, do Estado. Porque nós não tínhamos esse espaço específico para os alunos. O tempo inteiro eles querem tocar alguma coisa”, comenta Matté.
Apesar de ser um momento mais informal, logo no primeiro encontro com os participantes do Festival, a direção do evento colocou a ideia à disposição e deu o horário destes encontros, das 17h30min às 19h. Nem precisaram convidar duas vezes, logo o cronograma ficou completo. “O pessoal foi espontâneo. Foi muito especial, mesmo”, fala o maestro.
Programação
- 10h – Recital Orquestra Sesc Brasil – Auditório Universidade Católica – UCPel
- 13h – Recital de Alunos – Conservatório de Música da UFPel
- 15h – Classe de Canto do Festival – Conservatório de Música da UFPel
- 19h – Classe de Choro do Festival – Conservatório de Música da UFPel
- 20h – Orquestra Acadêmica – Regente Evandro Matté – Largo Mercado Central
