Jornalista, político e poeta Francisco Antunes Gomes da Costa herda a charqueada Boa Vista

Opinião

Ana Cláudia Dias

Ana Cláudia Dias

Coluna Memórias

Jornalista, político e poeta Francisco Antunes Gomes da Costa herda a charqueada Boa Vista

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Há exatos 150 anos, em 1875, a Charqueada Boa Vista, um dos berços da história de Pelotas, passava às mãos de uma de suas figuras mais emblemáticas. O poeta, jornalista, político e industrial Francisco Antunes Gomes da Costa, futuro Barão de Arroio Grande, recebia a propriedade como herança de seu sogro, Joaquim José da Cruz Secco. O gesto selou não apenas a continuidade de um patrimônio material, mas também de uma trajetória profundamente ligada à formação econômica, cultural e política do sul do Estado.

Fundada no final do século 18, a Boa Vista ocupa lugar central na história pelotense. Em 1779, teria sido vendida por Dona Isabel Francisca da Silveira a José Pinto Martins, cearense considerado um dos fundadores de Pelotas. Às margens do arroio Pelotas, ele instalou a primeira fábrica de salga de carnes, marco inicial da produção e da comercialização do charque no Rio Grande do Sul, atividade que, a partir de 1780, impulsionaria o crescimento da região.

Nascido em Pelotas em 8 de junho de 1838, Francisco Antunes Gomes da Costa, o “Costinha”, como era chamado, destacou-se desde jovem pelas letras e pela política. Aos 19 anos, fundou o periódico literário Araribá e, filiado ao Partido Liberal, tornou-se deputado provincial ainda nos primeiros anos da juventude. Atuou também como jornalista, poeta e orador respeitado, além de integrar a Guarda Nacional durante a Guerra do Paraguai.

(Foto: Divulgação)

Industrial e empreendedor, dedicou-se com afinco à indústria charqueadora, especialmente na Boa Vista, onde manteve atividade contínua por décadas. Sua atuação extrapolou os limites da charqueada: participou da criação e direção de diversas instituições que moldaram a vida urbana e econômica de Pelotas, como a Santa Casa de Misericórdia, o Banco Pelotense, a Associação Comercial e companhias de serviços públicos.

Família

Em 8 de abril de 1865, casou-se em Pelotas com sua prima-irmā Flora Felisbina Antunes Maciel, filha do coronel Annibal Antunes Maciel, que aqui exercia sua atividade como fazendeiro e charqueador. Dessa união descendem: Maria Francisca Antunes da Costa (Sinhá Costinha), que foi casada em primeiras núpcias (1885) com o conselheiro José Julio de Albuquerque Barros, na época presidente da Província, tendo recebido posteriormente o título de Barão de Sobral, e em um novo casamento com Francisco de Paula Rodrigues da Silva; Corina Antunes da Costa, morta na infância; Felisbina Antunes da Costa, que foi casada com o engenheiro militar general Alcibiades Martins Rangel; Flora Antunes da Costa, casada com Boaventura Teixeira Leite; Francisco Antunes Gomes da Costa (filho), superintendente da Companhia Nacional de Navegação Costeira, no Estado, casado com a Noemia Madureira da Costa; José Annibal Antunes da Costa, casado com Doralice Guimarães.

Título nobiliárquico

Em reconhecimento à sua trajetória política e ao gesto de conceder liberdade a um grande número de escravizados, recebeu, em 5 de setembro de 1884, por decreto imperial, o título de Barão de Arroio Grande, referência à cidade marcada por episódios decisivos da Revolução Farroupilha. Monarquista convicto, foi ainda vice-presidente da Província do Rio Grande do Sul.

A Charqueada Boa Vista permaneceu sob domínio da família até 1970. Hoje, restaurada e preservada, mantém viva a memória de um tempo em que o charque moldou destinos, fortunas e a própria identidade de Pelotas. Francisco Antunes Gomes da Costa faleceu em 13 de julho de 1912, deixando um legado que atravessa séculos.

Fontes: Almanaque de Pelotas 1927 – Memória Gráfica de Pelotas/UFPel; site Charqueada Boa Vista

Há 50 anos

Governo municipal começa a preparar recepção ao vice-presidente da República

(Foto: Divulgação)

O prefeito de Pelotas, Ary Alcântara, aguardava a visita do vice-presidente da República, general Adalberto Pereira dos Santos. O motivo da passagem pelo município era o 14º Congresso Estadual de Orizicultores.

O secretariado municipal tratou do tema e divulgou que durante a passagem pela região, o vice-presidente visitaria os painéis alusivos ao terceiro ano do Governo de Alcântara à frente do município, que estavam expostos no hall da prefeitura. A inauguração da mostra estava marcada para o dia 30 de janeiro de 1976.

Trajetória

O gaúcho Adalberto Pereira dos Santos (1905-1984), natural de Taquara, alcançou o posto de General de exército em 1965. Entre 24 de novembro de 1965 e 28 de março de 1968, foi comandante do I Exército. Foi chefe do Estado-Maior do Exército, de 29 de março de 1968 a 11 de abril de 1969. Chegou ao cargo de vice-presidente da República entre 15 de março de 1974 e 15 de março de 1979.

Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense

 

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