O improviso marca o encontro entre o choro e o jazz

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O improviso marca o encontro entre o choro e o jazz

Kiai e Elias Barboza trazem, na noite desta quinta-feira (29), o premiado Quarta dimensão para o Bloco de Blues

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O improviso marca o encontro entre o choro e o jazz
(Foto: Clederson Bonatto)

A 61ª edição do projeto Bloco de Blues acontece nesta quinta-feira (29) e recebe um encontro que sintetiza tradição e experimentação na música instrumental brasileira. No palco, o grupo Kiai, formado por Marcelo Vaz (piano), Dionísio Souza (baixo) e Lucas Fê (bateria), divide a cena com o bandolinista e cavaquinista Elias Barboza, em apresentação marcada para as 21h, no Bloco. Os ingressos estão à venda pelo site Sympla.

O quarteto lançou, há quase um ano, o álbum Quarta Dimensão, vencedor do Prêmio Açorianos de Música 2025 na categoria Melhor Álbum Instrumental, além do prêmio de Melhor Arranjo para a faixa Contemporâneo. A obra propõe uma fusão entre o choro e linguagens como jazz, frevo, samba e baião, resultado de um processo criativo baseado no diálogo, na improvisação e na escuta coletiva.

Sintonia imediata

Natural de Porto Alegre, Elias Barboza tem trajetória consolidada no choro e participa há sete anos do Festival Internacional Sesc de Música, em Pelotas, como professor do gênero. Antes do Quarta Dimensão, lançou discos mais alinhados ao choro tradicional. A virada ocorreu em janeiro de 2024, a partir de um encontro com o Kiai durante o festival, em Pelotas.
O trio instrumental, da cidade de Rio Grande, e Barboza tiveram um encontro inédito em tradicional reduto de sambistas em Pelotas, o Bar do Nenê. “Foi muita gente, e uma energia muito louca. Ali mesmo teve gente que disse: ‘vão ter que gravar’, relembra Barboza. E foi essa sintonia musical imediata que motivou a criação do projeto.

Composições autorais

As composições do álbum são autorais, do próprio bandolinista, concebidas majoritariamente durante o período da pandemia, e carregam referências pessoais e conceituais. Há temas inspirados no nascimento do filho do músico, baladas com clima jazzístico e faixas de caráter mais contemplativo, como a que dá nome ao disco, marcada por uma atmosfera mística. A ideia central, segundo Barboza, é manter os temas abertos à improvisação, fazendo com que cada apresentação seja única.

Todos juntos no estúdio

Gravado ao vivo em estúdio, em Porto Alegre, no final de 2024, com todos os músicos tocando juntos no mesmo ambiente, foi outro marco desse encontro musical. A gravação durou cerca de quatro horas, a rapidez provou o quanto a musicalidade fluiu.
Barboza diz que gravar separadamente é usual em outros estilos musicais, como o rock e o pop, mas que o choro e o jazz são propícios para uma junção. “O bandolim tem um microfone da harmônica, que capta o bandolim, não vaza o som dos outros. O baixo também é direto e plugado, ele não vaza, o teclado também toca ali e não vaza o som. A única que poderia vazar mais é a bateria, mas era só ela sendo captada. Foi uma imersão e o disco ficou pronto, e está aí rodando. Ao mesmo tempo, tem a dinâmica do vivo”, fala. O projeto foi tão bem-sucedido que os músico projetam um novo encontro em estúdio.

Celebração da criatividade

Essa “dinâmica do ao vivo”, como fala Barboza, significa que o disco preserva a energia do encontro e a experiência do palco, característica que também define os shows. No Bloco de Blues, o público poderá ouvir um repertório em constante transformação, onde o improviso, que marca o choro e o jazz, cruza esses estilos celebrando a liberdade criativa e a interação musical.

“Então, é bem isso mesmo, o encontro do choro com jazz, porque eles fazem um jazz fusion, um jazz que mistura, eles chamam até de ‘perifajazz’, porque eles são da periferia de Rio Grande”, fala Barboza. Para o músico tanto o álbum quanto os shows são uma celebração do choro com jazz. “Aprendi muito com eles, essa coisa de se jogar mesmo, de não ter medo de errar e experienciar o momento e com plenitude, porque tu tá presente realmente vivendo aquele momento”, conta.

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