Com projeção de crescimento para 2026, o Aeroporto Internacional João Simões Lopes Neto, em Pelotas, vive um novo momento de consolidação após o pico registrado em 2024, quando assumiu parte da demanda aérea do Rio Grande do Sul. O foco agora está na qualificação da infraestrutura e na viabilização de novas rotas nacionais, como o retorno do voo para o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP).
Atualmente, o aeroporto conta com três companhias aéreas, cada uma com três voos semanais. A Latam opera a rota Pelotas–Guarulhos (SP), a Gol voa para Campo Belo (SP) e a Azul mantém ligações com Porto Alegre. Até agosto do ano passado, a Azul também operava três voos semanais para Campinas, mas a companhia, que enfrenta um processo de recuperação judicial, reduziu a frota e suspendeu a rota.
De acordo com o diretor do Aeroporto de Pelotas, Wesley Puygcerver, cerca de 93 mil passageiros utilizaram o terminal em 2025. Em 2024, o número chegou a aproximadamente 106 mil. “Se não fosse a supressão da rota de Viracopos, 2025 teria superado 2024”, afirma. Um levantamento da concessionária aponta que cerca de 80% dos usuários que passam pelo aeroporto viajam a negócios, principalmente ligados ao agronegócio e às atividades do Porto do Rio Grande.
Investimentos e expansão
O aeroporto está sob concessão da empresa Motiva desde março de 2022, contrato que se estende até 2052. Segundo o diretor, já foram realizados investimentos da ordem de R$ 51 milhões, com foco inicial em obras estruturais, como a ampliação do terminal de passageiros e da pista. “Acredito que 2026 venha justamente para consolidar as rotas existentes e tentar ampliar um pouco o nicho de negócios dentro do aeroporto”, projeta.
A gestão também trabalha na ampliação de serviços e empreendimentos no terminal. Atualmente, o aeroporto conta com uma locadora de veículos e uma lanchonete, e está em negociação a instalação de uma loja de doces de Pelotas.
Apesar da venda da Motiva para a empresa mexicana Asur, não houve mudanças operacionais no Aeroporto de Pelotas. Funcionários e terceirizados serão mantidos, e, segundo Puygcerver, a principal alteração perceptível após a conclusão do processo será na identidade visual.
No curto prazo, o principal objetivo da administração é recuperar o voo para o Aeroporto Internacional de Viracopos, que registrava taxa de ocupação superior a 90%. No transporte de cargas, há atualmente apenas uma movimentação pontual de mercadorias no porão das aeronaves comerciais, sem a operação de voos cargueiros. “Conversamos com uma das companhias mais para apresentar a área e discutir a possibilidade de um pequeno terminal de cargas, mas, no momento, não houve avanços significativos”, explica.
A operação de voos internacionais demanda investimentos mais elevados, estimados em cerca de R$ 14 milhões. De acordo com o diretor, algumas adequações já foram realizadas e o processo segue em análise na Receita regional. “Devemos receber, a qualquer momento, o ato declaratório de alfandegamento definitivo para operar voos internacionais de aviação geral”, afirma. Para a aviação comercial internacional, no entanto, seriam necessários novos aportes.
Consolidação
Para Puygcerver, a estrutura do aeroporto começa a ganhar, de fato, “cara de aeroporto”, especialmente nas segundas e sextas-feiras, quando o fluxo médio chega a cerca de 260 pessoas. “Temos esse movimento porque são dois voos, além dos familiares que acompanham os passageiros. Isso faz com que haja uma grande quantidade de pessoas circulando ao mesmo tempo”, explica.
O gestor avalia 2024 como um ano de aprendizado, enquanto 2025 representou um período de consolidação. “Com o aeroporto da capital fechado, os holofotes se voltaram para Pelotas. Recebemos uma demanda muito acima da média que nossa infraestrutura conseguia suportar. Em 2025, o aeroporto registrou a maior média de transporte e de movimento da sua história, ficando atrás apenas de 2024”, relata.
Recentemente, o terminal também recebeu o voo da presidência da República durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao município do Rio Grande. “O Aeroporto de Pelotas foi utilizado porque o de Rio Grande não tem infraestrutura para receber aeronaves de grande porte. Isso reforça que o nosso aeroporto é estratégico para toda a Zona Sul”, destaca.
O Aeroporto de Pelotas chegou a operar próximo do limite histórico de companhias aéreas. Além das três atuais, a Voepass realizava quatro voos semanais para Florianópolis (SC), mas encerrou as atividades em fevereiro do ano passado. “Por pouco, um aeroporto regional – e eu não conheço outro caso no Brasil – quase teve quatro companhias operando de forma concomitante”, afirma Puygcerver.
