Pelotas é a quarta cidade gaúcha em registros de violência contra idosos

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Pelotas é a quarta cidade gaúcha em registros de violência contra idosos

Negligência e abandono lideram os casos e atingem principalmente mulheres

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Pelotas é a quarta cidade gaúcha em registros de violência contra idosos
Autoridades orientam para que denúncias sejam feitas pelo Disque 180 (Foto: Jô Folha)

Pelotas foi a quarta cidade gaúcha com mais registros de violência contra idosos em 2025, segundo dados do Painel da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH). Apesar da posição no ranking, a forma como as denúncias chegam à Polícia Civil e a divisão de atribuições entre delegacias ajudam a explicar por que os números nem sempre refletem, de maneira direta, a realidade enfrentada pelas equipes de investigação.

Dados do ONDH apontam que, em 2025, o RS registrou 69.606 violações contra pessoas idosas, a partir de 11.562 denúncias e 7.161 protocolos, sendo o quarto Estado brasileiro com mais registros. No mesmo período, Pelotas contabilizou 2.661 violações, 463 denúncias e 290 protocolos. Violação é qualquer ato que atente contra os direitos humanos da pessoa idosa. Já a denúncia corresponde ao registro formal e pode envolver uma ou mais violações, além de não resultar necessariamente em investigação policial.

De acordo com Daniele Santos, do setor de Investigação da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), grande parte das ocorrências chega por meio de denúncias anônimas feitas pelo Disque 180. “Quando envolve um idoso e há relação familiar, afetiva ou de convivência, ela vem para nós. Mas, muitas vezes, passa por outras delegacias antes”, explica.

Em 2025, conforme controle interno da Deam, foram registradas 314 denúncias relacionadas a idosos oriundas do Disque 180. O número inclui registros que chegaram no início de 2026, mas se referem ao ano anterior. Ainda assim, Daniele ressalta que os dados podem não representar a totalidade dos casos, já que algumas denúncias permanecem em outras unidades.
Esses registros não se confundem com ocorrências policiais. As denúncias do 180 passam por averiguação, com visitas ao local. Quando a situação não se confirma, o caso é arquivado, sem abertura de boletim ou inquérito, e não integra as estatísticas formais da Polícia Civil.

Já as denúncias feitas nas delegacias ou no plantão policial geram boletim e, quando se enquadram nos crimes do Estatuto do Idoso, resultam na instauração de inquérito. Esses casos seguem para o cartório responsável, mas não passam pelo mesmo controle manual, o que dificulta a consolidação de um número anual fechado.

Negligência e abandono lideram os casos

Segundo Daniele, os crimes mais recorrentes envolvendo idosos são negligência e abandono, frequentemente associados a disputas patrimoniais dentro da própria família. “Às vezes, um filho denuncia o outro por maus-tratos ou falta de cuidados, mas existe um interesse financeiro. A violência patrimonial aparece muito nesses casos”, relata.

O perfil das vítimas também se repete: a maioria são mulheres, muitas vezes sem filhos ou com familiares que moram longe. “A negligência aparece de diversas formas: deixar o idoso sozinho, não oferecer atenção adequada, não garantir acompanhamento médico ou não manter visitas regulares. São cuidados básicos que deveriam ser prestados por familiares”, afirma.

Sobrecarga e falta de estrutura

A investigadora destaca que o número de denúncias cresce desde 2020, quando a delegacia passou a assumir oficialmente os registros do Disque 180 relacionados a idosos, mas sem aumento do efetivo. “Hoje, o número de denúncias é muito grande. A gente não dá conta de tudo”, pontua.

Além de Pelotas, a equipe atende a zona rural e municípios vizinhos, acumulando outras atribuições da Deam. Para Daniele, o fortalecimento da rede de proteção passa pela ampliação do número de profissionais. “É fundamental para verificar se a denúncia é verídica e se há necessidade de registro na delegacia ou para algum tipo de acolhimento”, explica.
Como alternativa futura, ela avalia que a criação de uma delegacia especializada no atendimento ao idoso poderia centralizar as ocorrências e qualificar o atendimento. Enquanto isso, a orientação segue sendo clara: “Havendo qualquer suspeita de maus-tratos ou negligência contra idosos, a denúncia deve ser feita. Quando a pessoa não quer se identificar ou não deseja comparecer à delegacia, pode utilizar o Disque 180”.

Números de Pelotas

  • 2.661 violações
  • 463 denúncias
  • 290 protocolos

Números do RS

  • 69.606 violações
  • 11.562 denúncias
  • 7.161 protocolos

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