Em vias de completar 100 anos, no dia 26 de abril, o Grêmio Atlético Farroupilha é uma das grandes incógnitas do esporte pelotense. Enquanto o Brasil começa uma nova fase, movido pela SAF, e o Pelotas busca se reencontrar após uma temporada de decepções, praticamente tudo que permeia o Fantasma é seguido de pontos de interrogação. É inquestionável que o clube perdeu relevância nos últimos anos e viveu um infeliz processo de encolhimento. Mas, pela sua história e pelos torcedores que ainda restam, é preciso que as coisas sejam cristalinas.
O clube não disputou competições no ano passado. Entregou o Nicolau Fico, que foi ao chão e deu lugar a uma rede de supermercados. As obras do novo estádio, em um local completamente isolado às margens da avenida 25 de Julho e BR-116, estão paradas há meses por um impasse judicial. Ou seja, hoje o Tricolor é um clube com poucos – mas fiéis – torcedores, sem estádio e sem futebol. Saiu do Fragata, sua principal raiz. A direção, procurada pelo Grupo A Hora, garantiu que esse ano será de retomada. Mas em estádio emprestado e provavelmente em partidas vazias.
Não cabe aqui questionar as decisões administrativas que levaram o clube a abrir mão do Nicolau Fico e da identidade do Fragata. Mas é inexplicável que, até o momento, tudo o que o clube tenha seja um terreno com algumas fundações. Os prazos mirabolantes dados para a obra em cada entrevista foram, um a um, sendo superados e basicamente nada avançou. Os torcedores que restam parecem já ter perdido a esperança. Pouco ou nada se faz barulho sobre esse tema. Mas as dúvidas seguem.
Apesar do momento atual de licenciamento e sem qualquer estrutura, é importante ressaltar que o Farroupilha é um clube histórico a nível estadual. Carrega o título de Campeão Gaúcho por cem anos, devido ao título de 1935, ano do centenário da Revolução Farroupilha. Foi, por muito tempo, símbolo de uma comunidade do maior bairro da cidade. Os anos de falta de recursos e, agora, de falta de clareza, fizeram essa história ser deixada de lado, mas não pode ser esquecida. Por tudo o que o clube representa na história, ele precisa de zelo e transparência.
