A apresentação de Renato Teixeira no 14º Festival Internacional Sesc de Música, em Pelotas, foi mais do que um show: tornou-se um momento de reflexão sobre cultura, identidade e o papel da música na vida cotidiana. Aos quase 80 anos, o cantor e compositor paulista, autor de obras emblemáticas da música popular brasileira, levou ao palco do Laranjal um repertório marcado pela sensibilidade, pela memória afetiva e pela defesa do acesso democrático à arte.
Antes da apresentação, Renato conversou com a imprensa e destacou a força simbólica e cultural do festival, ressaltando que o crescimento do evento reflete diretamente o envolvimento da população. Para ele, iniciativas como o Festival só se mantêm vivas quando encontram respaldo na comunidade. “Esse festival, ele demonstra o nível cultural, o nível de atenção, o nível de qualidade da população dessa cidade, de Pelotas. É muito interessante isso”, afirma.
O músico ainda destaca o papel fundamental da música como ferramenta de união e formação social. Para ele, o contato com produções de qualidade amplia o repertório simbólico da população e fortalece os vínculos coletivos. Ele cita a música orquestral como exemplo desse processo. “A orquestra simboliza o poder da união. As pessoas se juntam para fazer alguma coisa em harmonia, e isso tem um significado muito forte”, explicou.
Relação com o Sesc
Nesse contexto, o cantor fez questão de elogiar o trabalho desenvolvido pelo Sesc ao longo de décadas. Com uma relação de mais de 40 anos com a instituição, Renato afirmou acompanhar de perto o impacto social das ações culturais promovidas pela entidade. “As orquestras estão crescendo, porque as pessoas gostam de orquestras. O Sesc conseguiu captar essa mensagem e está devolvendo para o povo. Isso é uma beleza”, declarou.
A relação de Renato Teixeira com Pelotas também foi pauta. O artista revelou uma conexão afetiva com a cidade e destacou aspectos que lhe chamaram a atenção ao longo das visitas. “Pelotas é uma cidade plana, boa para ciclista, devia ser a capital do ciclismo no Brasil”, comentou, além de mencionar a importância simbólica da Lagoa dos Patos, aprendida ainda na infância como um dos grandes patrimônios naturais do país. Segundo ele, a cidade está bem estruturada para receber eventos culturais, com boa infraestrutura e acolhimento aos artistas.
Influência da música gaúcha na trajetória
A ligação com o Rio Grande do Sul, no entanto, vai além da geografia. Renato ressalta a influência da música gaúcha em sua trajetória pessoal e artística, citando parcerias importantes e memórias da infância. O compositor também destacou parcerias com nomes como Luiz Coronel e a admiração por músicos como Kleiton e Kledir, a quem definiu como “um luxo” da música brasileira.
Aos jovens músicos que participam do festival, muitos deles vivendo a primeira experiência diante de grandes plateias, o artista deixa uma mensagem especial. Para Renato, estudar música vai muito além da possibilidade de viver profissionalmente dela. “A música faz bem para o espírito, para a alma, para o coração. Ela proporciona uma existência mais feliz, mais generosa”, disse. Segundo ele, mesmo quando o talento não se transforma em carreira, a música segue cumprindo um papel essencial na vida das pessoas e na construção de uma sociedade mais sensível.
