Na busca por garantir o protagonismo de Rio Grande na busca por novos negócios, investimentos no complexo portuário e retomada do polo naval, a prefeitura do município admite negociação com a BYD e outras montadoras, além de cerca de 80 empresas com propostas ou sondagens para se instalar na cidade, feitas pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Inovação, Turismo e Economia do Mar (Smditmar), pasta que tem se dedicado à capilarização de potenciais negócios para incrementar a atividade industrial no município.
Segundo o titular da Smditmar, Vítor Magalhães, desde outubro de 2024 já existe uma negociação com a empresa de carros elétricos BYD, que acabou sendo pausada quando as conversas com a empresa GWM aqueceram. Agora, com a escolha da GWM pelo Espírito Santo devido aos incentivos fiscais, o diálogo foi retomado e uma visita em fevereiro deve marcar avanços. A negociação é feita junto ao governo do Estado e a InvestRS e, mesmo que outras empresas também tenham interesse no município, a BYD se tornou ficha 1. Ainda, o secretário aponta que vão utilizar a experiência adquirida nas negociações para prestar mais atenção às potencialidades.
Esse esforço contínuo de capilarização de negócios se reflete nos números acompanhados pela Smditmar. Atualmente, o município monitora 88 grandes empresas em seu CRM de atração de investimentos, todas inseridas no processo desde o primeiro contato. Desse total, 12 são do setor de energia, considerado estratégico para o desenvolvimento local. As empresas estão em diferentes estágios — desde contatos iniciais até fases mais avançadas — e fazem parte de um acompanhamento sistemático, com lógica semelhante a um funil de vendas, que permite à prefeitura manter o relacionamento ativo e ampliar as chances de concretização dos investimentos em Rio Grande.
Polo Naval como motor do desenvolvimento
Com a retomada do Polo Naval sendo trabalhada há bastante tempo e com a visita do presidente Lula (PT) nesta última semana, a expectativa quanto ao processo de valorização da indústria nacional é boa. O secretário reforça que, quando o governo federal decide usar o estaleiro para a construção naval, não é por uma opção de preço — pois, na China, seria mais barato. “Rio Grande tem um estaleiro com todas as potencialidades suficientes para suprir grande parte da demanda. E, mais ainda, chegamos a ter mais de 10 mil trabalhadores ali”, afirma.
Em paralelo a isso, com a atuação da CMPC no cais público, a oferta de empregos aumentará, assim como a circulação de dinheiro na cidade. Porém, essas notícias positivas trazem um alerta. “Tem um ditado que diz que, quando tudo começa a dar certo, é que a gente tem que prestar mais atenção”, pontua o secretário, ao reforçar que a guarda não pode ser abaixada e que a atuação para a atração de investimentos não pode ser perdida.
Desfecho da termelétrica
A questão do gás e os impactos de sua ausência na região Sul já foram apresentados aos desembargadores, em conversas realizadas ao longo do processo. Em fevereiro, o tema volta a ser pauta com a realização de um julgamento estendido, que irá definir se a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) deverá aceitar automaticamente a transferência da outorga do grupo Bolognese para o Grupo Cobra ou se será necessária uma nova análise.
Apesar disso, o entendimento favorável já foi sinalizado, segundo Magalhães. Caso a decisão confirmada em fevereiro atenda às expectativas, o andamento do processo tende a ser facilitado, abrindo a possibilidade de um desfecho para a termoelétrica ainda em 2026, se não houver novos entraves.
Hidrogênio e amônia verdes
Por ser uma cidade com grandes consumidores de energia, Rio Grande se vê em posição privilegiada para ser escolhida no processo de transição energética e descarbonização, a partir dos investimentos da Fontes Verdes.
Com o início das negociações em maio de 2025, os representantes da empresa e do governo realizaram diversas reuniões – online e presenciais – além de viagens a São Paulo, onde fica a sede da empresa, e deslocamentos dos negociadores para Rio Grande. Foram apresentadas áreas, localização privilegiada, entre outros pontos que se mostraram estratégicos para a concretização da negociação.
