“Precisamos ter uma secretaria especial para a Metade Sul”

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“Precisamos ter uma secretaria especial para a Metade Sul”

Marcelo Maranata (PSDB) é o quarto a ser entrevistado em série de reportagens com os pré-candidatos ao governo do Estado

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Atualizado sexta-feira,
16 de Janeiro de 2026 às 14:40

“Precisamos ter uma secretaria especial para a Metade Sul”
(Foto: Divulgação)

A cerca de oito meses para as eleições gerais de 2026, o Grupo A Hora deu início a uma série de entrevistas com os pré-candidatos ao Governo do Rio Grande do Sul. Os questionamentos envolvem as propostas para o desenvolvimento da Região Sul, além das perspectivas para o Estado, em diferentes áreas.

O quarto pré-candidato a ser ouvido foi o Marcelo Maranata, prefeito reeleito do município de Guaíba. Assumiu a gestão municipal pela primeira vez em 2021 e foi reeleito em 2024, com 78,18% dos votos válidos. É presidente do Consórcio dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Granpal), sendo o primeiro reeleito na história da entidade. Embora tenha sido eleito prefeito pelo PDT, filiou-se ao PSDB em setembro de 2025.

ENTREVISTA

Por que o senhor quer ser o próximo governador?
Concorri cinco vezes a prefeito em Guaíba. Venho do varejo, fui presidente da CDL e do Sindilojas. Vivi muito a nossa região, que vive do arroz, da agricultura, do fumo, e sei das dificuldades. Vim para Guaíba para começar a vida, trabalhando de dia para pagar a faculdade à noite, dormindo dentro da loja. Sei a dor de quem já inicia o mês devendo, e uma coisa que trouxe da iniciativa privada é que temos que cuidar do cidadão, do cliente. Passamos pelas enchentes, o momento mais difícil da nossa história. Cuidamos também de mais de 20 mil pessoas de Eldorado do Sul. E, mesmo com as adversidades, Guaíba está melhor do que estava antes e conseguimos ser aprovados com quase 80% da votação do eleitor. Também fui presidente da Granpal. Enfrentamos os desafios da pandemia e de uma microexplosão que destruiu quase 4,5 mil casas. Um grande aprendizado que só tem na gestão pública. E o PSDB me dá condição de sonhar grande, já governou o Estado três vezes como governador e três vezes como vice. O partido pode dar condição para chegar na eleição com vitória. A Yeda Crusius deve retornar ao partido no início deste ano, coordenando o plano de governo e como pré-candidata ao Senado. O PSDB tem muito a crescer e mostrar que é capaz de apresentar uma proposta para o Rio Grande do Sul voltar a sorrir.

Como foram os últimos seis meses de articulações dentro do PSDB?
Era natural que Paula Mascarenhas seguisse o projeto do líder, Eduardo Leite. Fizemos de tudo para que ela permanecesse no partido, mas também tinha um grupo que entendia que as lideranças, que ficariam no partido e queriam ver ele crescer, deveriam comandá-lo sem levar bandeira de outra instituição. Vamos começar as caravanas tucanas pelos 45 municípios do Estado. O Aécio Neves vem para fazer um encontro em Porto Alegre, no dia 5 de fevereiro. Vamos ter uma atividade no Paleta Atlântida, maior churrasco de beira de praia. Quanto aos projetos debatidos, acreditamos que deveria haver uma secretaria especial para a Zona Sul. Ao longo dos anos, ficamos para trás e venho falado isso há tempo. Podemos faz grandes coisas juntos, desenvolvendo o turismo na Costa Doce, fortalecendo o polo naval de Rio Grande e o Porto de Pelotas – uma logística que mostra que é o transporte hidroviário é possível. E é isso que nos faz acreditar no Rio Grande do Sul.

Como atrair empresas para a Zona Sul?
Precisamos ter essa secretaria para a Metade Sul para potencializar aquilo em que somos bons. Temos a produção do arroz, mas precisamos diversificar. Estamos passando por muitas dificuldades, como as enchentes, a questão da irrigação e o endividamento dos produtores. É importante que eles consigam parcelar a dívida, e trazer indústria para diversificar a matriz produtiva e parar de vender commodities para fora. Santa Catarina tem seis portos, e muito da nossa produção está saindo por lá por não termos uma logística eficiente. É necessário entender a complexidade da Metade Sul. Precisamos de gestores com habilidade de conversar com quem quer que seja o presidente, para trazer recursos, parcelar a dívida, negociar. Acho que esse é um dos grandes desafios: um espaço para discutir a região mais prejudicada no Estado e que precisa voltar a crescer.

Há algum projeto executado pela Prefeitura de Guaíba que poderia ser amplificado ao Estado?
Da mesma maneira que consolidamos a vinda da Aeromot e outros sistemas para Guaíba, estamos lutando para que a Metade Sul tenha o primeiro cluster de saúde. O Brasil está invertendo a pirâmide etária e o RS tem 114 idosos para cada 100 crianças. E o cluster propõe um local onde hospitais, universidades, centros diagnósticos e de pesquisa, laboratórios e empresas de medicamentos e tecnologia para o envelhecimento saudável estejam reunidos. Temos capacidade de produzir, temos jovens com um talento gigante, que estão trabalhando fora porque não encontram mercado aqui. Por isso é importante um governo que faça o diálogo com o setor produtivo e a indústria, para voltar a crescer. Isso é o que me motiva e são os objetivos que nos unem. Tenho certeza de que, mesmo com as dificuldades, se dermos as mãos, muita coisa será transformada.

Quem deve estar junto com o PSDB na disputa das eleições de 2026?
O Partido Democracia Cristã já está conosco, também estive conversando com o movimento do presidente nacional do Solidariedade, além do PRTB (antigo PTB), do PRD – que já definiu que estará conosco. Um deles deve indicar o vice-governador.

Estamos conversando com o Podemos, o PSB e vamos falar com o PP – eles estão definindo se vão ter candidatura própria ou vão estar em alguma composição como vice. O PSDB, junto com os partidos que estão conosco, vai apresentar uma chapa que representa a indústria, o setor primário, dê atenção ao agro e saiba das dificuldades do Estado.

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