O otimismo em relação ao futuro financeiro marca a virada do ano para a maioria dos brasileiros, segundo os dados da Pesquisa Perspectivas para 2026, realizada pela Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box. Nela, 85% da população acredita que 2026 será um ano financeiramente melhor do que 2025. Além disso, 78% afirmam que pretendem concretizar sonhos que ficaram pendentes no ano anterior.
Apesar da confiança, o levantamento revela que o sentimento predominante ao olhar para 2025 foi de cautela. As palavras mais citadas para definir o último ano foram planejamento (21%), preocupação (18%) e organização (18%). O especialista de operações da Serasa, Giovani Inocente, falou sobre os resultados ao Grupo A Hora.
Para ele, os números refletem um consumidor mais atento, mas ainda apreensivo. “As pessoas estão otimistas, mas esse otimismo vem acompanhado de preocupação. Existe uma vontade clara de se organizar melhor, de entender as dívidas e evitar novos problemas financeiros”, avalia. Ele lembra que o Brasil encerrou o ano com cerca de 80 milhões de negativados, um recorde histórico, o que ajuda a explicar a cautela.
De acordo com Inocente, o primeiro passo para mudar esse cenário é ter uma visão clara das próprias finanças. “Antes de pensar em novos projetos, é fundamental revisar todos os gastos, entender para onde o dinheiro está indo e identificar excessos que muitas vezes passam despercebidos”, orienta. Entre os principais vilões, ele destaca o uso indiscriminado do cartão de crédito, que cria uma falsa sensação de renda disponível, além de empréstimos com juros elevados, como cheque especial.
O especialista chama atenção para o início do ano, período em que tradicionalmente a inadimplência cresce. “Dezembro costuma trazer gastos extras com festas, férias e consumo. Em janeiro, muitas famílias percebem que extrapolaram o orçamento e entram no vermelho”, explica. Por isso, a recomendação é redobrar o cuidado nos primeiros meses de 2026 para evitar o aumento das dívidas.
Outro ponto central é a falta de reserva financeira. “A maioria dos brasileiros ainda não tem o hábito de guardar dinheiro. Qualquer imprevisto leva diretamente ao endividamento”, afirma Inocente. Para ele, mais importante do que decidir onde investir é começar a guardar, mesmo que seja um valor pequeno, em uma aplicação de fácil acesso, destinada exclusivamente a emergências.
Inocente também observa avanços na educação financeira entre os mais jovens, impulsionados pela inclusão do tema nas escolas e pela maior oferta de conteúdo acessível. Ainda assim, reforça que o desafio é coletivo e contínuo. “Planejar, organizar e buscar informação são atitudes essenciais para transformar o otimismo em resultados concretos”, conclui.
Dados
- 9 em cada 10 dizem estar se organizando para ter tranquilidade financeira em 2026;
- 8 em cada 10 brasileiros afirmam que buscarão educação financeira em 2026;
- Para 42%, pagar dívidas é o principal plano dos próximos meses.
