Decreto de emergência de Pelotas fica para próxima semana, com foco na zona rural

ciclone extratropical

Decreto de emergência de Pelotas fica para próxima semana, com foco na zona rural

Fase atual consiste em reunir laudos para acelerar a busca por recursos e a reconstrução de pontes e estradas

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Decreto de emergência de Pelotas fica para próxima semana, com foco na zona rural
Pelo menos duas pontes foram arrastadas pelas águas e outras oito foram sofreram danos estruturais (Foto: Jô Folha)

A prefeitura de Pelotas deve decretar emergência na zona rural no início da próxima semana. A medida será tomada após a conclusão dos relatórios das secretarias de Proteção e Defesa Civil e Desenvolvimento Rural, além dos laudos de lavouras e do tempo. A confirmação do decreto depende da finalização desses documentos, que servem de base para homologação nos governos estadual e federal.

Na prática, o decreto permitirá ao município ganhar agilidade para executar ações de resposta e reconstrução, como contratar serviços com menos burocracia, acessar recursos e reforçar a estrutura danificada durante o ciclone extratropical que atingiu o município entre terça e quarta-feira.

Segundo o prefeito Fernando Marroni (PT), reunir o máximo de informações neste momento é fundamental para garantir apoio financeiro nacional. “É importante que a gente consiga recursos também em âmbito nacional, junto à Secretaria Nacional da Defesa Civil, para reconstruir as pontes que perdemos em concreto. Caso contrário, infelizmente, é ‘enxugar gelo’: teremos ponte até a próxima enxurrada”, afirma.

14 pontes com problemas

Os levantamentos iniciais confirmam a extensão dos danos. Na zona rural, duas pontes foram arrastadas pela água e pelo menos quatro ficaram submersas. Outras oito sofreram danos estruturais nas cabeceiras, afetando diferentes distritos, como Triunfo, Quilombo, Vila Nova, Moinho Morello, Prainha e Maciel. A rede elétrica também contabiliza avarias em todos os distritos, e o sinal de internet foi comprometido em várias localidades.

Estradas preocupam

As estradas rurais estão entre as maiores preocupações. Oito trechos foram classificados como críticos, especialmente no Quilombo. Os impactos foram sentidos em diversos pontos, como o Corredor dos Alves, Santa Silvana, Gama, Maciel, Posto Branco e Vila Nova. Em duas localidades, Cascatinha e Passo dos Carros, as vias estão completamente intransitáveis.

Escolas seguem sem aulas

Na educação, as escolas da zona rural continuam com aulas suspensas. As equipes diretivas realizam vistorias nas estruturas, e a Secretaria de Educação prepara uma orientação para organizar a recuperação dos dias letivos e o funcionamento das unidades até o fim do ano.

Na saúde, os impactos também são significativos. Conforme a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), diversas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da zona rural enfrentaram problemas de energia, sinal de internet e, em alguns casos, até dificuldade de acesso. Hoje a previsão é de que apenas duas unidades ainda não conseguissem retomar o atendimento.

A situação mais grave é na UBS da Colônia Gruppelli, onde a água passou de um metro de altura, provocando perdas de medicamentos, mobiliário e equipamentos. A unidade seguirá fechada até o meio da próxima semana, e os moradores passam a ser atendidos pelas UBSs Triunfo e Maciel. Já a UBS da Colônia Corrientes permanece sem funcionamento por falta de água e luz.

Olhar dos moradores

Para a produtora Itiana Menezes, moradora da Vila Nova, o principal entrave são as condições das estradas e a destruição de pontes. “Tem muita fruta ainda para colher e não tem ponte. Várias foram levadas pela água. A gente precisa fazer retornos maiores para conseguir escoar a produção”, explica. Ela afirma que o deslocamento com carga ficou mais complexo. “A situação está bem complicada”, resume.

Saiba mais sobre as perdas do agronegócio na página 12 desta edição.
A comunidade também enfrenta dificuldades com a energia elétrica. Itiana relata que o fornecimento só foi restabelecido por volta das duas horas da manhã de ontem em algumas áreas, enquanto outros moradores seguem sem luz.

Demandas da comunidade

Moradora da região do Grupelli, Amanda Grupelli destaca que há uma série de ações emergenciais que deveriam ser executadas. Entre as prioridades, ela cita a limpeza das cabeceiras das pontes, o desassoreamento do arroio, a reforma do dique de contenção e a remoção de aterros antigos.

Em situação de urgência, ela reforça que seria necessário até mesmo o envio imediato de uma retroescavadeira e de material de aterro para tapar buracos e liberar o tráfego. Amanda também pede autorização para que os moradores possam realizar o manejo de árvores caídas no arroio, que hoje impedem o fluxo normal do escoamento das águas.

Ela lembra que a situação atual expõe não apenas os riscos causados pelo ciclone, mas também a fragilidade da infraestrutura local. “A manutenção das estradas é fundamental”, reforça, lembrando que a região está em plena safra do pêssego e que muitos agricultores não conseguem deixar suas propriedades para entregar a produção às indústrias.

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