Geoparques são definidos pela Unesco como territórios que tenham áreas geográficas com patrimônios geológicos, geomorfológicos e paleontológicos, de referência internacional, e que possam usar esse patrimônio como elemento para alavancar seu desenvolvimento regional. Coordenado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o projeto Geoparque Paisagem das Águas avança para o reconhecimento em esfera mundial pelo órgão das Nações Unidas.
O território do Projeto Geoparque Paisagem das Águas abrange uma área de aproximadamente 8.600 km², distribuída nos municípios de Pelotas, Rio Grande, Capão do Leão, Arroio do Padre, Turuçu, São Lourenço do Sul e São José do Norte. O professor da UFPel e coordenador do projeto, Adriano Simon, destaca a necessidade do engajamento dos representantes e da população, especialmente destas cidades, para a ampliação do projeto. “Temos conseguido dialogar bastante com os outros municípios, muito embora ainda haja a necessidade de um diálogo com mais prefeituras e de atingir um número maior de pessoas que tenham conhecimento dessa singularidade do estuário e do projeto”, pontua.
O geoparque é um instrumento de promoção de desenvolvimento sustentável, através de ações de turismo e educação, e que, associadas com medidas de preservação ambiental, tem objetivo de agir, de forma integrada, para um crescimento social baseado na preservação ambiental. Além disso, busca contribuir com o fortalecimento da economia das comunidades locais em suas práticas, culturas e identidades.
“O Geoparque Paisagem das Águas permitirá compreender melhor os processos naturais e orientar estratégias de adaptação frente às mudanças climáticas, promovendo também educação ambiental e turismo responsável”, explica o professor.
Acordo de cooperação
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) e a UFPel assinaram, em agosto deste ano, um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) que fortalecerá a proposta para criação do geoparque na Zona Sul. A parceria entre as instituições prevê estudos para ampliar o conhecimento sobre a região e assegurar que o projeto avance.
Entre as ações previstas estão o levantamento da geodiversidade, dos atrativos geoturísticos, criação de roteiros turísticos, divulgação e sensibilização do público sobre o patrimônio natural e cultural, a articulação com gestores, comunidades tradicionais e empresários, e a promoção de educação ambiental e produção científica. A iniciativa busca consolidar estratégias de desenvolvimento sustentável, preservando a diversidade e fortalecendo a identidade cultural da região.
O acordo entre a UFPel e o Serviço Geológico tem duração prevista de 30 meses.
Geoparques da Unesco
Os Geoparques Mundiais da Unesco são estabelecidos por meio de um processo que envolve todas as partes interessadas e autoridades, locais e regionais, como grupos comunitários, profissionais de turismo, povos indígenas e organizações.
Esse processo requer compromissos firmes por parte das comunidades locais, fortes e múltiplas parcerias locais com apoio público e político de longo prazo, além do desenvolvimento de uma estratégia abrangente que atinja todos os objetivos das populações, enquanto mostra e protege o patrimônio geológico da área.
Singularidade do Estuário
O Estuário da Lagoa dos Patos representa uma área única. Formado no contato do Oceano Atlântico com uma das maiores lagunas do globo, a Lagoa dos Patos, o estuário recebe água de canais, riachos, lagos, rios, cachoeiras e áreas úmidas. Em contato com a água do Oceano Atlântico, cria um universo hidrológico diferenciado, que permite a existência de uma rica biodiversidade. Ao mesmo tempo, é um espaço de intensa ocupação por meios produtivos urbano-industriais, portuários, agropecuários e de atividades de mineração, bem como atividades culturais e econômicas de populações tradicionais.
