A chegada ao terceiro ano do Ensino Médio pode ser considerada um divisor de águas na vida da maior parte dos estudantes. Além do momento da escolha profissional, é um período de muitas despedidas, do fechamento de um ciclo que, para muitos, começou ainda na educação infantil.
Para os estudantes do Ensino Médio do Colégio Gonzaga, a série de despedidas ocorre ao longo do ano, oportunidade em que as várias etapas vivenciadas na escola são relembradas. Considerado uma segunda casa para Isadora Buss — que frequenta o colégio desde os dois anos —, o Gonzaga acumula muitos momentos memoráveis. “São histórias muito engraçadas, histórias de amizade, de laços. Eu e a Maria Isabel, por exemplo, quando a gente era pequenininha, não nos dávamos muito bem. E hoje em dia somos amigas”, lembra.
Diversos momentos são recordados pelos estudantes e registrados em fotografias ao longo dos anos. Em cada ambiente, os alunos guardam lembranças preciosas e importantes para o crescimento pessoal. Maria Isabel de Mello conta que compartilhou várias fases com as amigas. “Com as gurias, vivemos juntas as fases de cada uma. Isso é muito marcante, vai ficar para sempre”, afirma.
Integrante da turma 232, Julia Kirst divide experiências com as colegas desde o maternal. Com 16 anos de escola, a estudante recorda que ela e Isadora precisaram “rodar” um ano, pois não tinham idade para ingressar no Ensino Fundamental. “Estamos juntas desde a primeira turma. Ficávamos juntas desde aquela época, apesar de não nos lembrarmos muito bem. Estar no Gonzaga é uma sensação única; só quem experimenta, quem vive, sabe do que eu estou falando”, avalia.
Para Helena Sauer, a construção de laços se estende a professores, funcionários e coordenadores da escola. “O que vamos lembrar do colégio são as pessoas que ficaram aqui. São as pessoas de quem mais vamos sentir saudade, com certeza”, diz. Já Isabely Silveira sente gratidão pela escola ter representado pessoas fundamentais para o seu crescimento.
Caminho compartilhado
Mariana Cruz considera extremamente importante manter as amizades iniciadas ainda na infância. “Eu pude acompanhar elas crescendo, assim como elas me viram crescer também”, diz. “Elas são minhas amigas desde sempre. A Isa, por exemplo: a gente entrou juntas na escola e eu não gostava da Isadora, mas depois viramos amigas. E, pra mim, isso é muito importante, porque sempre tive facilidade para fazer amizade aqui — e não em outros lugares.”
A estudante se preocupa com o fato de que, com o fim do Ensino Médio, as colegas possam perder o contato diário. “Eu fico meio preocupada de, na faculdade, perder isso, porque eu não consigo me imaginar com outras pessoas que não sejam elas.” Mariana lembra ainda que ficou alguns meses fora da escola, e mesmo assim as colegas continuaram chamando-a para todas as atividades.
“É uma coisa muito forte que a gente tem. Não tem tempo separado que faça a gente perder isso, porque são vivências que só a gente teve — conversas, risadas — que só a gente experienciou. E eu pretendo, e quero muito, continuar tendo isso pelo resto da minha vida”, afirma.
Isabely avalia que todas as amizades que teve foram construídas a partir das vivências no Gonzaga. “É realmente um sentimento de gratidão, porque eu sei que, sem a escola, a gente nem se conheceria. E elas são, tipo, a base de todas as amizades que eu já tive.”
Formação de caráter
Na avaliação da aluna Isadora Belém, as amizades feitas no Gonzaga foram fundamentais para sua formação pessoal. “Vai ser muito difícil quando eu não puder ver eles todos os dias. Não ter as pessoas em quem eu mais confio na minha vida comigo presentes todos os dias, porque já viraram minha família.”
Nathália e os colegas Gustavo Girão e João Mendes estudam juntos desde os cinco anos de idade. “A nossa turma é muito unida, desde sempre. Teve gente que entrou, outros saíram, mas continuamos conversando. A gente marca de sair e faz várias coisas para manter esse laço criado aqui no Gonzaga”, afirma a estudante.
Para Gustavo Girão, o término do Ensino Médio, apesar das mudanças, não será um obstáculo para a continuidade do vínculo afetivo. “Eu vou sentir muita, muita saudade. Porque é uma relação maravilhosa que eu tenho com meus colegas. Eu amo demais eles. E, sim, eu vou levar eles pra vida.”
João Mendes conta que só agora começou a perceber o que significa concluir essa etapa. “Agora, com a formatura, a gente vai encerrar esse ciclo. Tá caindo a ficha, porque é tanto tempo juntos que eu nem percebia.”
Mesmo diante das incertezas do início de um novo ciclo, os estudantes garantem que os laços de amizade serão mantidos. “Vai ser muito difícil no ano que vem não ver eles todos os dias. Não ter as pessoas em quem eu mais confio na minha vida presentes todos os dias, porque já viraram minha família”, reforça Isadora.
Da mesma forma, sempre haverá motivos para relembrar os bons momentos e vivê-los novamente em novas oportunidades. “Eu tenho outras duas irmãs que estudam no Gonzaga: uma de 15, que tá no primeiro ano, e a outra que tá no maternal. E eu tô vivenciando tudo isso de novo com elas. E está sendo maravilhoso”, finaliza Júlia.
