O “se” no Polo Rodoviário Pelotas

Opinião

Jarbas Tomaschewski

Jarbas Tomaschewski

Coordenador Editorial e de Projetos do A Hora do Sul

O “se” no Polo Rodoviário Pelotas

Por

Na vida, no trabalho, nas agendas diárias há sempre um “se” em tudo. Em entrevista à Rádio Pelotense, no programa Debate Regional, o supervisor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Vladmir Casa, disse uma frase que devolve o ponto de interrogação ao contrato do Polo Rodoviário Pelotas até a escolha da nova concessionária.

Ao falar, Casa fez o seguinte comentário:

— A partir de março, se o Dnit realmente assumir…

E aqui chegamos ao ponto de inflexão no tema responsável por tirar o sono de prefeitos dos municípios dentro da área de concessão. Sabe-se do interesse da Ecovias Sul em continuar à frente da administração das rodovias BR-116 e BR-392 até o futuro leilão ser realizado e a próxima empresa assumir — isso com valor de pedágio menor ao praticado hoje. Seria um contrato-tampão por vários meses, a partir de 3 de março do ano que vem. Sabe-se também que a maioria dos gestores defende a continuidade temporária da Ecovias Sul, por temer prejuízos e riscos a partir da redução dos serviços hoje oferecidos. Deixa-se de ter, por exemplo, atendimento de ambulâncias e guinchos. E sabe-se, por fim, a posição do ministro dos Transportes, Renan Filho, em relação à ideia: ele é contra estender o contrato, mesmo que de forma temporária.

E exatamente nesse ponto entra a experiência do supervisor do Dnit. Com anos de atuação à frente do órgão, ele sabe quando as ações operacionais saem de cena e o diálogo político assume o jogo. A decisão sobre o Polo Rodoviário Pelotas passará pelo gabinete de Renan Filho. Bastará um aceno dele para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) mudar os planos.

Independentemente de como estaremos no dia 3 de março, último dia do contrato, o Dnit cumpre seu papel. Estará pronto para assumir os 456,2 quilômetros. As licitações para definir as quatro empresas responsáveis pelos trechos a partir de Pelotas, em direção a Rio Grande, Jaguarão, Santana da Boa Vista e Camaquã, já foram realizadas e devem ser homologadas até janeiro. As reuniões de alinhamento em nível federal, inclusive, acontecem.

Renan Filho tem no seu calendário uma visita à Metade Sul na primeira semana de dezembro para vistoriar obras. Não escapará de responder à pergunta mais aguardada hoje pelas partes interessadas: afinal, existe ou não a possibilidade de o contrato com a Ecovias Sul ser renovado, com a redução do valor do pedágio, até o processo estar concluído? Sem um fato novo, não mudará a decisão anunciada mais de uma vez nos últimos meses.

A cobrança feita nas cancelas também separa a região em dois times. Há quem entenda não haver problema em continuar pagando um valor menor e garantir a manutenção e a segurança nas rodovias com a estrutura atual. E há quem sonhe em circular até 2027 sem precisar desembolsar os valores da tabela.

Na conversa com a Rádio Pelotense, o supervisor do Dnit detalhou a fase atual de todo o processo. O Polo Rodoviário Pelotas, agora batizado de Rota Portuária do Sul, terá o edital lançado em maio e o leilão executado em agosto. No futuro, não haverá mais pontos de cobrança, substituídos por pórticos automáticos (free flow). Como chegaremos lá é a dúvida que paira no ar. A resposta saberemos em até 93 dias.

Acompanhe
nossas
redes sociais