Tholl completa 23 anos como força criativa nos palcos e ícone cultural de Pelotas

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Tholl completa 23 anos como força criativa nos palcos e ícone cultural de Pelotas

Às vésperas do aniversário, o papel da trupe para o desenvolvimento da cultura no Estado foi reconhecido pela segunda vez com premiação da Assembleia Legislativa

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Tholl completa 23 anos como força criativa nos palcos e ícone cultural de Pelotas
Grupo principal conta com 30 integrantes. (Foto: Jô Folha)

O que nasceu do sonho de menino de um ator apaixonado por circo transformou-se em uma trupe única no Brasil. Neste sábado, completam-se 23 anos da estreia do espetáculo singular que uniu teatro, dança, acrobacias e técnicas de clown e faria o Tholl ser reconhecido nacionalmente. Com apresentações para mais de 1,7 milhão de espectadores, o sucesso do grupo é atribuído, por seu criador, à dedicação para profissionalizar e elevar à excelência a arte e a cultura nascidas em Pelotas.

Em meio à agenda lotada de viagens para apresentações em diversas localidades do Estado e do país, o idealizador e diretor do Tholl, João Bachilli, encontrou um espaço para ir a Porto Alegre, na terça-feira, receber o Prêmio Líderes e Vencedores. Pela segunda vez, o grupo recebeu o reconhecimento destinado a iniciativas que contribuem para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul. “É um dos prêmios mais importantes dentro da cultura e ficamos muito felizes de receber ele de novo”, diz.

Quando recebeu a honraria pela primeira vez, em 2008, a trupe vivia outro momento. Ainda era o primeiro grupo de formação do Tholl e havia sido recém-lançado o Exotique, segundo espetáculo criado após o sucesso de Tholl, Imagem e Sonho. Cerca de 17 anos depois, o repertório conta com seis espetáculos, além de coletâneas e apresentações especiais, como a de Natal.

Em contraste com as cores vibrantes predominantes nas maquiagens e figurinos da maioria das apresentações, o show mais recente montado pela trupe traz cores neutras para dar vida às Lendas do Sul, de João Simões Lopes Neto. A atuação marcante de sempre e as acrobacias dão vida à literatura de outro símbolo da cultura pelotense, assim como o próprio Tholl.

Outro fator marcante dessa nova fase do grupo é a conquista da sede própria, há dois anos. Após 21 anos ensaiando em espaços cedidos por empresas, o grupo finalmente alcançou um lugar para chamar de seu. A partir dessa conquista, Bachilli e o diretor e produtor Joao Schmidt planejam transformar o espaço em um ponto de referência para a produção cultural em Pelotas.

Para isso, têm aberto as portas do imóvel — uma antiga fábrica de fumo no bairro Porto — para receber ensaios e preparações de apresentações de outros grupos e artistas. “Nós queremos um movimento maior de cultura em Pelotas. Nós somos de uma época, quando começamos, em que a cidade tinha 27 grupos de teatro, e hoje quantos tem?”, diz Bachilli. O diretor cita a reabertura do Theatro Sete de Abril como outro fator para impulsionar a atividade artística no município.

Mais de duas décadas fruto da profissionalização

Os percalços para a ascensão de projetos culturais não são exclusividade de Pelotas. Com 40 anos de carreira, Joao Schimidt destaca haver grande dificuldade para colocar um espetáculo em cartaz — e ainda mais para mantê-lo em exibição no país. Cenário que faz do Tholl uma referência pela continuidade de espetáculos por mais de uma década. O aclamado Tholl, Imagem e Sonho, por exemplo, completou, em 2022, 20 anos de apresentações.

Conforme Bachilli e Schimidt, essa conquista se deve ao aperfeiçoamento dos espetáculos e à profissionalização da trupe. “Nós temos a visão de ter uma vida longa e solidificada. Nós não estreamos espetáculos para apresentar três ou quatro vezes; eles têm uma carreira. O Cirquin está há 11 anos em cartaz”, diz Bachilli.

Na mesma linha, Schimidt acrescenta que esse trabalho permitiu ao Tholl alcançar uma das maiores remunerações do país entre os grupos artísticos para seus profissionais. “É trabalho. Aqui nós estamos trabalhando. Hoje acaba o ensaio às 9 horas da noite, nós carregamos dois espetáculos [em caminhões] porque temos três shows neste final de semana”, cita. Com 150 a 200 apresentações por ano, a rotina de treinos e espetáculos do grupo é intensa.

As portas abertas pelo Tholl

O grupo oficial do Tholl tem hoje 30 integrantes, a maioria formada dentro da trupe desde a infância, a partir da entrada na oficina de treinamentos. Totalmente gratuita, ela abre seleção anualmente e oferta aulas semanais de acrobacias, teatro e tudo mais que envolve a arte circense para crianças. Em 2025, são 70 participantes ativos, sendo preparados para se tornarem futuros artistas, grande parte deles alunos de escolas públicas.

Para além do reconhecimento do público, parte dessas crianças formadas no Tholl — de origem humilde e de bairros afastados do Centro de Pelotas — está hoje rodando o mundo graças às portas abertas pelo grupo. Atualmente, oito ex-integrantes estão no Cirque du Soleil.

“O Tholl leva gente de Pelotas para o mundo inteiro. Ontem recebemos o Leonardo Louzada, integrante do Tholl, morador do bairro Navegantes, que hoje é uma das grandes estrelas do Cirque du Soleil, fala fluentemente quatro línguas e está conhecendo o mundo inteiro”, relata Bachilli. Com 19 anos e há 13 na trupe, Eduardo Ferreira é um dos integrantes que em breve também embarcam para o Canadá para integrar o maior circo do mundo. “É um sonho realizado. Se não fosse o Tholl, eu nunca sairia de Pelotas”, declara.

O Tholl de Pelotas

O Tholl leva o nome de Pelotas para todos os lugares em que encanta milhares de pessoas na plateia. Mais do que as premiações, a importância da trupe é reconhecida como patrimônio cultural do Rio Grande do Sul — e, sobretudo, como motivo de orgulho para os pelotenses. “O que diferencia uma cidade da outra é a cultura e isso [Tholl] faz com que a nossa cidade se destaque mais. Onde a gente chega, a gente é uma felicidade”, conclui Schimidt.

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