Carro construído por inventor pelotense vira atração no Centro Histórico

Veículo

Carro construído por inventor pelotense vira atração no Centro Histórico

Hiran Fonseca emplaca seu primeiro automóvel e passeia pelas ruas de Pelotas

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Carro construído por inventor pelotense vira atração no Centro Histórico
(Foto: Cíntia Piegas)

Uma volta ao passado para lembrar Pelotas do início do século 20, quando os primeiros modelos de automóveis começaram a circular pela Princesa do Sul. Assim o inventor e empresário Hiran Fonseca, 66, recriou o cenário de nostalgia e saudosismo que chamou a atenção de quem passava pela rua Anchieta, na manhã desta terça-feira (11). Não faltaram vídeos e selfies. Com a sua mais nova invenção – o carro não tem nome ainda -, o criador do modelo que lembra um Ford T já pode passear pelas ruas, pois o carro está devidamente emplacado.

O idealizador do modelo garante que não precisa de planta, nem de desenho para dar vida às suas criações. “Tudo que eu construo é de cabeça”, conta. De um punhado de rodas no chão, nasce um carrinho inteiro, artesanal, único, impossível de copiar. O motor vem de uma Honda 150 cilindradas, com 15 cavalos de potência. O tanque de combustível é reaproveitado de caminhão (depósito de ar comprimido), o farol é de moto Suzuki comprado pela Internet. “Eu boto umas rodas no chão e começo a fazer. Não me inspiro em nada, mas o modelo lembra os carros dos anos 1909, 1910. Tirei umas ideias de lá, mas nenhuma é igual.”

Cada veículo leva cerca de dois meses para ficar pronto, construído peça por peça. O volante, por exemplo, tem um ferro interno e é forrado com madeira envernizada. As rodas traseiras usam diferencial do Chevette, com cardan e caixa de ré, “porque motor de moto não tem ré, mas esse tem”. Até os bancos e a alavanca de câmbio, enfeitada com uma bolinha de sinuca, são obra do próprio Fonseca. “Faço todo o carrinho, tudo é eu que faço”, reforça. cinco marchas.

O artesão diz que sempre construiu por curiosidade e prazer. Já montou ultraleves e trikes, veículos de três rodas, e começou a fazer carrinhos menores para os netos, até que as proporções cresceram e o hobby virou coisa séria. “Tá ficando grande, modelos estão como carros mesmo. É muita burocracia e custo elevado para legalizar”, brinca. Desta vez, o projeto ganhou status oficial: “Todos os carros que eu fiz nunca legalizei, porque é muito complicado. Esse eu legalizei. Tá registrado no Detran, emplacado pelo Rio de Janeiro. Agora posso andar nas rodovias e na cidade dentro da lei.”

Figurino

Para exibir a novidade no centro da cidade, o inventor se vestiu com roupas de época. “Comprei para vir a caráter. A esposa não quis usar, mas eu vim da época”, diverte-se. Com mais de 160 mil seguidores no Instagram, Fonseca coleciona admiradores de vários países, como Inglaterra, Argentina, Uruguai, Chile, Peru e até Indonésia. “Todo mundo me copia. Eu boto tudo no Instagram para as pessoas fazerem também. Não guardo segredo”, diz.

Sem formação técnica na área, tem Ensino Médio completo e chegou a cursar engenharia elétrica, mas não concluiu, ele acredita que a chave de tudo está na curiosidade. “Tem que ser curioso. Quem não tem curiosidade não faz nada. Eu vejo as coisas e começo a fazer”, resume.

Ao fim, antes de dar mais uma volta na praça, ele reflete: “Vou partir desse mundo, mas as coisas vão ficar. Por isso que eu faço isso.” Se ficou curioso para saber mais sobre o trabalho do inventor, é só seguir o @hiranfonseca.

Ação social

Para relembrar, o inventor, nas horas vagas costuma fazer ações sociais. Ano passado ele foi Papai Noel no Laranjal, e distribuiu balas e chocolates para a criançada. O trenó foi um clássico Hot Rod 1920 construído pelo aposentado. Já no Cassino, a chegada do bom velhinho foi de parapente (também produção caseira).

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