O tema de Redação do Enem deste ano traz um assunto pertinente e urgente. Vivemos em um envelhecimento acelerado da população brasileira. Se estima que nos próximos 25 anos a população idosa dobrará e até 2031 tenhamos mais idosos do que crianças. Há pesquisas que indicam que teremos uma redução populacional a partir de 2041. A conta é simples: quantos filhos nossos avós tinham? E nossos pais? E nós, agora? Aquela matemática simples de um casal “repor” a média com um par de filhos raramente encaixa e, com isso, novas perspectivas surgem.
Há, claro, questões urgentes que os números também dão o tom. São mais de 70 mil idosos em Pelotas – praticamente 21% da população. Como A Hora do Sul mostrou na semana passada, quase metade das nossas calçadas oferecem obstáculos. Portanto, a mobilidade já se torna um problema de hoje. Para além disso, a própria overdose tecnológica recente oferece um desafio de acessibilidade virtual, uma vez que do pagamento de boletos à transmissão dos jogos da dupla Bra-Pel, é necessário se aventurar por muitos links. Sabemos que parte significativa da população idosa não embarcou na onda digital e, agora, enfrentam dificuldades para acessar serviços.
Mas a grande preocupação passa pelo próprio cuidar do futuro. Em setembro, Pelotas tinha 1.180 idosos vivendo em 67 instituições de longa permanência. Há uma tendência de aumento da necessidade desse serviço, mas também para o cuidar como um todo. Uma preocupação urgente é justamente na equação dos filhos X cuidar X tempo. É um cenário complexo, em que provavelmente um único filho não dará conta de cuidar dos pais, ou mesmo não terá capacidade financeira para terceirizar os cuidados, dados os custos. É algo que vai afetar o mercado de trabalho, de consumo e as empresas muito rapidamente e ainda é pouco discutido.
Em termos de infraestrutura, ainda não temos cidades preparadas para sermos um país de idosos, e pouquíssimo acesso a serviços que contemplem as peculiaridades do envelhecimento. Ter um momento para reflexão disso tudo é fundamental, uma vez que o tempo não para e a tendência apontada pelos números parece ser irreversível.
