Artista plástico pelotense participa da Bienal da Amazônia, no Pará

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Artista plástico pelotense participa da Bienal da Amazônia, no Pará

Mario Schuster aborda a relação de pertencimento e interdependência entre os povos originários e o ambiente em que vivem

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Artista plástico pelotense participa da Bienal da Amazônia, no Pará
Schuster apresenta uma tela em tinta acrílica (Foto: Divulgação)

O artista plástico pelotense Mario Schuster participa da Bienal da Amazônia, em Belém do Pará. Organizado pela Art 3 Gallery, a exposição tem curadoria de Rosita Cavenaghi. Vai ocorrer durante o período da COP 30, com abertura no sábado e exibição até 28 deste mês, no Hotel Ibis, avenida Duque de Caxias, 1.538. Com a proposta de conectar arte, ancestralidade e sustentabilidade, a iniciativa integra a Bienal Somos Todos Amazônia, organizada pela ONU e outras instituições governamentais.

Na exposição, o artista estará presente com a obra Urihipë: terra mãe (acrílico sobre tela, 140cm x 100 cm), criada em 2023. Urihipë, que significa “a nossa floresta-terra”, ressalta a relação de pertencimento e interdependência entre os povos originários e o ambiente em que vivem atualmente. “Procuro questionar o paradoxo da realidade dos povos originários que transitam entre a cultura ocidental dos colonizadores e a sua própria cultura”, fala o artista.

Segundo Schuster, a obra não apresenta uma resposta, mas um encontro de forças. A serenidade da postura de oração entra em choque com a história de imposição e violência que esta mesma simbologia representou para os povos originários. “Busco convidar a meditação complexa da natureza da cultura: o que é assimilado, o que é imposto e o que, por pura força e resiliência, persiste. É uma meditação sobre a fé que viajou os oceanos e o espírito da terra que a acolheu, transformando-a em algo novo e, ao mesmo tempo, profundamente antigo”, explica o artista.

Obra contrapõe serenidade e violência (Foto: Divulgação)

O questionamento latente na pintura é sobre o verdadeiro significado de “encontro”. Devemos entender a cultura como uma dádiva a ser oferecida, ou como uma barreira a ser respeitada? A figura, nesta sua dualidade, convoca-nos a ir além da superfície do conflito, para explorar a intersecção íntima entre crença e identidade, entre o que se recebe e o que nunca se perde. O colar indígena à parte são um sussurro de vida que continua a brotar, um lembrete de que a natureza e a ancestralidade seguem pulsando, mesmo sob os mantos mais pesados da história. A pintura é um convite para o nosso próprio interior, para confrontarmos as nossas certezas.

Exposição em Roma

Atualmente, Mario está com três obras expostas na Graving Art Gallery de Roma até o dia 9 de novembro. Os trabalhos (Guarda aqui e Prospettivas contemporâneas) propõem uma reflexão sobre a forma como as pessoas veem os fatos, os acontecimentos, inclusive a arte. A necessidade de registrar um momento através da fotografia do celular, em vez de viver o momento. E ver através da lente do celular, de criar uma memória digital, com uma preocupação maior em mostrar o que viram ou onde estão, do que apreciar o momento ou a obra de arte.

Ciência e pintura

Nascido em Pelotas, ainda pré-adolescente começou a frequentar as aulas de desenho e de pintura do artista Nesmaro, Nestor Marques Rodrigues (1917-1981). Formado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Pelotas. Ingressou no Curso de Bacharelado em Artes Visuais da UFPel, formando-se em Pintura em 2007. Participou de várias exposições em Pelotas, como por exemplo no Espaço Ágape, Centro de Artes da Ufpel, e Museu da Arte Leopoldo Gotuzzo.

Com uma abordagem tão atual, sua arte conquistou visibilidade internacional. Ele já realizou uma residência artística na ArtHouse Holand, em Leiderdrop, e exibiu suas obras em diversos locais de destaque em outros países. Suas exposições incluem cidades como Pelotas, Porto Alegre, São Paulo, Florianópolis, Rio de Janeiro, Buenos Aires, México, Barcelona, Lisboa, Amsterdam, Leiden e Helsinque.

Atualmente expõe na Galeria da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro e em São Paulo na prefeitura, onde conquistou o 2º lugar em pintura no 15º Salão de Artes SINAP.

Cotidiano e natureza

Mário Schuster tem se dedicado ao seu trabalho artístico no Laguna Casa/Atelier/Espaço de Arte, que promove exposições, debates sobre arte e residências artísticas, no Laranjal. Consciente do mundo ao seu redor, pesquisa referências em situações cotidianas e na natureza, a partir de suas observações diárias, incorporando-as às suas criações artísticas. Seu trabalho abrange diversas mídias, incluindo pinturas, desenhos, música, videoclipes e filmes.

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