Especialistas apontam benefícios do brincar livre frente ao avanço das telas

Dia das crianças

Especialistas apontam benefícios do brincar livre frente ao avanço das telas

Brincadeiras analógicas fortalecem o desenvolvimento motor, emocional e social das crianças

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Especialistas apontam benefícios do brincar livre frente ao avanço das telas

Pega-pega, esconde-esconde, bola, balanço, escorregador. Por muito tempo, estas foram palavras-chave do cotidiano das crianças. Com o avanço das telas – celulares, tablets, videogames –, o ato do brincar “de verdade” parece ter diminuído, principalmente após a pandemia. No entanto, segundo especialistas, resgatar o lúdico é essencial para um desenvolvimento saudável.

Segundo dados do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, publicados em fevereiro deste ano, o uso da internet por bebês (0 a 2 anos) saltou para 44% em 2024. No entanto, o relato dos pais e a visão da psicologia infantil mostram que as crianças ainda preferem o brincar coletivo e analógico.

A mãe Ângela Zacarias, 35 anos, tem uma abordagem rígida em relação à tecnologia para a filha Ana Carolina, 7 anos. A menina ainda não possui um celular, e o uso da televisão tem horários restritos. Além disso, a mãe libera seu celular para Ana jogar algo, com limite de tempo. A ideia é fazer a pequena explorar o “mundo novo” de brincadeiras.

E a própria Ana Carolina confirma a preferência: quando perguntada se prefere brincar ou mexer no celular, ela não hesita: “Brincar. Porque é mais legal. Tem meus amiguinhos”. Para ela, os melhores divertimentos são físicos e envolvem outras crianças. Seus preferidos são o pega-pega, o balanço e o escorregador.

O brincar livre e a cultura lúdica

Professor da Faculdade de Educação da UFPel e coordenador da Brinquedoteca, Rogério Würdig defende que o brincar livre é essencial para o desenvolvimento das crianças. “Brincar livre é uma das ações mais importantes para desenvolvimento das crianças porque é divertido, dá prazer, traz alegria e as coloca em contato com a cultura lúdica”, diz.

Impactos das telas

A psicóloga e professora da UFPel, Camila Farias, alerta que o excesso de tempo em frente às telas traz uma série de prejuízos ao desenvolvimento infantil. Segundo ela, os impactos vão desde dificuldades de coordenação motora até problemas emocionais e sociais. “Quanto mais tempo isolado nas telas, menos a criança exerce movimento, se movimenta pelo mundo, ganha habilidades cognitivas, físicas e de constituição de vínculo”, afirma.

Ele complementa que o uso excessivo de telas ameaça essa experiência: “As telas NÃO substituem os pés na terra, a mão no barro, o suor no corpo, o sorriso do correr junto e rir sem parar”, destaca.

Hiperestímulo cerebral

Camila explica que as telas provocam uma “hiperestimulação cerebral”, que pode gerar comportamentos confundidos com hiperatividade. “Às vezes a criança só se acalma com o celular, mas não é que ela se acalma – o cérebro fica hiperestimulado”, destaca. “Uma infância hiperconectada vai ser necessariamente uma infância hiperativa.”

Brincar e se desenvolver

A professora defende o brincar livre e não dirigido como essencial para o desenvolvimento emocional. “É brincando que a criança elabora, lida com os afetos, cria recursos para manejar as situações que está vivendo.” Segundo ela, crianças que brincam fora das telas têm mais recursos para lidar com desafios, mais criatividade e repertório social.

Incentivar o pensamento

Autora do livro infantil Enraive-ser, Camila orienta os pais a oferecerem materiais simples e variados, como pedaços de madeira, papéis, pedras de diferentes texturas, além de valorizarem os livros e as histórias. Essas estratégias ajudam a criança a estimular a imaginação e pensar.

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