“Fomos contornando a costa oeste da Lagoa dos Patos, acompanhando a água até ela chegar no mar”

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“Fomos contornando a costa oeste da Lagoa dos Patos, acompanhando a água até ela chegar no mar”

Raphaela Donaduce Flores e Eduardo Seidl – Jornalistas

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Atualizado sexta-feira,
10 de Outubro de 2025 às 11:11

“Fomos contornando a costa oeste da Lagoa dos Patos, acompanhando a água até ela chegar no mar”
(Foto: Divulgação)

Cerca de 60 dias após a tragédia climática que atingiu o Rio Grande do Sul, em maio do ano passado, o casal de jornalistas Eduardo Seidl e Raphaela Donaduce Flores percorreu de bicicleta o caminho de destruição que a força das águas da Lagoa dos Patos acabou provocando.

Foram 500 quilômetros contornando a costa do Mar de Dentro, saindo de Porto Alegre até o Rio Grande. Os registros dessa viagem estão condensados no livro Caminho das águas, uma viagem de bicicleta pela costa oeste da Lagoa dos Patos, da Editora Libretos.

A obra terá quatro lançamentos com sessão de autógrafos, a partir desta sexta-feira (10), na Zona Sul. A primeira parada é em São Lourenço do Sul, às 16h, na Escola Marina Vargas, avenida Coronel Nono Centeno, 933. No sábado (11), o casal estará em Pelotas, às 12h no Cantinho da Gi, na Colônia Z-3 e às 17h na 4 Galeria e Café, rua Doutor Amarante 608. Domingo 912), às 15h, no Palacete Bianchini, avenida Rio Grande, 186, praia do Cassino.

Como surgiu a ideia desta viagem?

Raphaela Flores – Nós já praticamos viagens de bicicleta há alguns anos, a gente sempre viaja, geralmente no verão e no inverno a gente faz alguma viagem mais longa. E aí tava chegando nesse período, era julho, tinha acontecido enchente, e a gente ainda muito tomado por tudo isso que tava acontecendo no Estado. Entendemos que não fazia sentido pedalar para qualquer outro lugar que não fosse relacionado ao que a gente estava vivendo. Saímos pedalando de bicicleta daqui de Porto Alegre e fomos contornando a costa oeste da Lagoa dos Patos, acompanhando a água até ela chegar no mar. Nós passamos por: Barra do Ribeiro, Tapes, Arambaré, São Lourenço do Sul, Pelotas e terminamos no Cassino, em Rio Grande, onde a água da enchente encontra o mar.

Foi uma expedição jornalística, mas também um passeio?

Eduardo Seidl – Foi também um passeio, porque ir de bicicleta sempre é um passeio.

Raphaela Flores – Claro que tinha esse contexto muito triste. O Estado ainda estava se reconstruindo. Muitas pessoas fora de casa. Fizemos essa viagem que também é um passeio como uma forma de olhar para o nosso território, para as nossas águas, para as nossas estradas. Ao longo desse percurso nós fomos conversando com as pessoas documentando fazendo fotos, observando a paisagem nessa velocidade da bicicleta. É outro tipo de observação, uma viagem feita numa média de 10, 15 quilômetros por hora. Levamos uma semana pedalando.

Vocês encontraram algumas dessas localidades ainda em reconstrução?

Eduardo Seidl – Quando a gente saiu, a impressão que se tinha é que a enchente tinha sido ontem. Foi bem vivo ainda. Por exemplo, na Barra do Ribeiro, a prefeitura estava com caminhões, com mangueiras de jato e vassouras tirando lama da rua. A gente encontrou bastante essa cena clássica, das pilhas de mobílias e pertences pessoais nas ruas.

Vocês trazem esses relatos desses encontros para o livro?

Raphaela Flores – Fomos documentando em foto e gravando entrevistas. Ele é um livro estruturado numa forma de diário de viagem, cada capítulo é um dia desse percurso. Relatamos de que ponto a gente saiu, até o ponto de chegada. Ele tem mapas ilustrados pela Mari Frohner que mostram o trajeto e tem muitas fotos, são 115. É um pouco documentário sobre a enchente, mas também é um convite de como fazer esse percurso de bicicleta.

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