O Ministério Público do Rio Grande do Sul deve concluir nos próximos dias a Operação Marcola, que investiga desvios de recursos no Brasil durante gestões anteriores.
Em entrevista à Rádio Pelotense, o promotor Rogério Meirelles Caldas confirmou que a apuração está “próxima de um desfecho” e que as denúncias penais serão apresentadas em breve.
Nos bastidores, o A Hora do Sul apurou que o oferecimento formal da denúncia deve ocorrer ainda em outubro. Fontes ligadas à investigação também confirmam que houve uma tentativa de acordo extrajudicial para devolução dos valores desviados, mas os três investigados não aceitaram a proposta.
R$ 400 mil desviados — e suspeita de até R$ 1 milhão
Deflagrada em julho de 2024, a Operação Marcola investiga Evânio Bandeira Tavares (ex-presidente), Tiago Rezende (ex-responsável pela Central de Sócios) e Wederson “Mineiro” Antinossi (ex-CEO).
Conforme o MP, os dirigentes transferiam valores do clube para contas pessoais, alegando que o Brasil precisava depositar as receitas na Justiça do Trabalho por estar vinculado a um condomínio de credores. Parte do dinheiro, porém, não retornava aos cofres xavantes.
O Ministério Público estima o desvio em cerca de R$ 400 mil, mas que pode chegar a R$ 1 milhão. A operação, que iniciou no ano passado, cumpriu 10 mandados de busca e apreensão em Pelotas e em Contagem (MG), incluindo o estádio Bento Freitas.
Quem é quem no caso
Evânio Tavares, presidente entre 2021 e 2023, renunciou ao cargo em meio às suspeitas e após ter sido destituído pelo Conselho Deliberativo. A investigação aponta que premiações e repasses da CBF foram depositados em sua conta pessoal, sem retorno integral ao clube. Há ainda suspeitas sobre notas fiscais emitidas por empresa de sua propriedade.
O empresário Tiago Rezende, responsável pela Central de Sócios, criou um programa de vantagens com cashback para associados, mas o MP apura movimentações paralelas de recursos. Ele afirma colaborar com a investigação e nega irregularidades.
Já o ex-CEO Wederson Antinossi, conhecido como Mineiro, é suspeito de receber valores de patrocinadores em conta pessoal. Atualmente diretor de uma cooperativa financeira em Belo Horizonte, ele alega que seu salário era pago por meio de cheques de patrocinadores, razão pela qual move uma reclamatória trabalhista contra o clube.
As possíveis acusações
Nos bastidores, as denúncias que o Ministério Público deve apresentar envolvem apropriação indébita e associação criminosa, crimes que preveem penas de até sete anos de prisão. A promotoria também não descarta incluir falsidade ideológica ou lavagem de dinheiro, caso as provas bancárias indiquem tentativa de ocultar a origem dos valores. Se acolhida, os três ex-dirigentes se tornarão réus por crimes patrimoniais, e o processo seguirá para fase de instrução, com oitivas e análise de provas. Além da esfera penal, o MP poderá reforçar o bloqueio de bens e cobrar judicialmente o ressarcimento dos valores desviados.
