Em um momento da sociedade em que o “nós contra eles” se torna uma trava até em relacionamentos familiares, as lideranças políticas, empresariais e setoriais têm por obrigação dar o exemplo através do diálogo. Quando Brasil e Estados Unidos dão esse passo, dão também o recado de que é possível encontrar o meio-termo entre quem pensa diferente. Embora ainda não tenha havido qualquer solução para o impasse entre ambos, só o fato de acenar positivamente em uma situação em que a polarização e o ranço estavam tão pulsantes, ambos os países mostram que há um caminho.
O fato é que esse é um exemplo que pode ser trazido para as próprias relações humanas: dialogar é o caminho para encontrar o caminho e compreender o outro. Em uma sociedade tão radicalizada nas opiniões, é importante relembrar que temos dois ouvidos e uma boca, justamente para ouvirmos mais e falarmos menos. Trabalhar a compreensão é um caminho para a própria evolução individual.
Em termos regionais, conseguimos diversas evoluções quando entidades e lideranças sentaram para conversar. Foi assim que surgiram as Alianças Pelotas e Rio Grande, que juntas conseguiram exercer a pressão pela nossa então principal pauta, a duplicação da BR-116. Agora, a Zona Sul tem no fortalecimento da questão portuária – sobretudo com os avanços do terminal de Arroio do Sal – uma outra pauta para trabalhar conjuntamente.
Pelotas, Piratini, Canguçu e demais cidades são também responsáveis por dar esse suporte a Rio Grande. O crescimento ali vai impactar toda a região. A concessão das rodovias é outro ponto que demanda participação de todos para bolar uma solução para o período sem administração e para a elaboração de novos contratos.
Por tudo isso, é fundamental que encontros e reuniões se tornem corriqueiros para alinhar passos. Agora, a menos de um ano das eleições, a questão regional tem que estar também acima da polarização e da definição de polos ideológicos. É preciso que a região, principalmente os partidos, entre em consenso para mandar nomes competitivos e que tenham reais chances de representar nossas ideias, seja em Brasília, seja na Assembleia Legislativa do Estado. E esse alinhamento virá, mais uma vez, através do diálogo.
