A cidade de Rio Grande esteve no centro dos debates após a homologação do contrato, pela Petrobrás, para a construção dos quatro navios do tipo Handy em seu estaleiro. A prefeita Darlene Pereira (PT) aponta que há boas expectativas de crescimento, considerando os investimentos que estão sendo direcionados para a cidade. Com relação ao polo naval, reforça o encaminhamento das contratações de trabalhadores.
A homologação dos contratos permite à Transpetro, maior subsidiária da Petrobrás, ter acesso aos recursos, realizar a revisão dos projetos e contratações. “A equipe que está em Rio Grande já está trabalhando na seleção de pessoal junto com o Senai. Nesse momento são feitas análises de currículos e reciclagem. O forte das contratações será mais ao final do ano”, diz Darlene.
É projetado que o polo naval de Rio Grande gere, ao total, cerca de 1,5 mil empregos até março de 2026, com expectativa de aproveitamento da mão de obra local. “A região já tem força de trabalho suficiente, com conhecimento técnico, e está sendo trabalhado para que essas pessoas sejam absorvidas com investimentos em reciclagem de quem já trabalhou no ramo”, garante.
A prefeita também cita a preocupação com a duplicação do Lote 4 da BR-392, que é um gargalo logístico para o Porto rio-grandino e pode dificultar a chegada de novos investidores. O projeto, incluído no PAC, foi encaminhado para o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) e a aprovação é aguardada para o próximo ano.
Novos gaseiros
Darlene também relata que há expectativa positiva quanto a aquisição, pela Ecovix, de navios gaseiros em uma nova licitação da Petrobrás. Se confirmados os projetos, a empresa estima a contratação de até quatro mil trabalhadores diretos, permitindo a continuidade dos serviços ao menos até 2030. “É algo que está próximo e nos dá uma expectativa da continuidade do polo naval”, disse a prefeita.
Esperada para ocorrer hoje, o prazo para a submissão de propostas para a licitação foi adiado mais uma vez. Agora, as empresas interessadas terão até o dia 12 de setembro para demonstrarem interesse em participar do processo.
Com investimento superior a R$ 4 bilhões, a licitação é considerada estratégica para a indústria naval brasileira.
Ponte Rio Grande x São José do Norte
Outro projeto histórico esperado pela região, que possibilitará a ampliação de rotas até o distrito naval, é a construção da ponte entre Rio Grande e São José do Norte. A construção da estrutura está em fase de projeto.
Darlene afirma que teve uma reunião nesta semana com a empresa Nova Engenharia, responsável pela elaboração do projeto da ponte. Segundo ela, é aguardada a homologação do Dnit na próxima semana para que se iniciem os trabalhos. Estão sendo realizadas visitas técnicas nas quatro possibilidades de localização da estrutura e o projeto pronto para iniciar deverá ser entregue em dois anos. “Às vezes a comunidade não sabe o que está acontecendo e acha que está parado, mas é um processo lento. Obras grandes precisam de mais cuidado”, reforçou a prefeita.
Investimentos
A cidade recebeu a visita de representantes da Great Wall Motor (GWM), empresa chinesa, que aposta em veículos híbridos e elétricos, que recentemente inaugurou a sua primeira fábrica no interior de São Paulo e já está buscando locais para mais uma operação.
Rio Grande é considerada uma forte candidata para a futura unidade, principalmente por conta do Porto, que é estratégico para exportação e importação de peças e veículos. A prefeita afirma que já foram encaminhadas as informações solicitadas pela empresa e que está no aguardo para que a cidade seja escolhida. “Sabemos dos problemas logísticos, mas temos um Porto que pode ajudar muito e outras empresas já tem prospectado Rio Grande, como BYD e Tramontina”, afirma Darlene.