Municípios discutem ações para lidar com retomada após novos alagamentos

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Municípios discutem ações para lidar com retomada após novos alagamentos

Municípios da região sul registram pontes destruídas, residências atingidas e falta de recursos

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Atualizado quinta-feira,
28 de Agosto de 2025 às 15:04

Municípios discutem ações para lidar com retomada após novos alagamentos
(Foto: Jô Folha)

As fortes chuvas que atingiram o Estado no último final de semana deixaram rastros de destruição em alguns municípios da região sul. É o caso de Canguçu, que decretará estado de emergência nesta quinta-feira (28). A decisão foi motivada pelos grandes danos em diversas infraestruturas, que incluem, até o momento, 74 pontes avariadas e 12 totalmente destruídas, além de valas, deslizamentos e bloqueios.

Segundo o coordenador da Defesa Civil de Canguçu, Mariselton Ribeiro, em reunião online da Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul), ainda há localidades de difícil ou nenhum acesso. “Ainda não sabemos dizer ao certo a real condição de todas as pontes. Algumas, ainda hoje, estão debaixo d’água.” relata. O município também teve atendimentos de saúde comprometidos, afetando principalmente pacientes da oncologia e hemodiálise, além da suspensão das aulas.

Enquanto as equipes da Defesa Civil ainda trabalham para liberar as principais vias e corredores de acesso, o relatório final de danos deve ser concluído até o final da tarde desta quinta, embora reconheçam que a falta de acesso em alguns lugares pode atrasar o levantamento.

São Lourenço do Sul também enfrenta colapso

Em São Lourenço, a situação também é complexa. O prefeito Zelmute Marten (PT), classificou o momento como um “colapso” financeiro e estrutural. “Estamos no final do exercício orçamentário de 2025, não temos mais dinheiro sequer para comprar óleo diesel. Nossa zona urbana foi muito atingida e temos muitas ruas precisando de cascalho, mas há impedimentos legais para a aquisição” afirmou.

O município possui 2,8 mil quilômetros de estradas que demandam manutenção de cascalho periodicamente. No momento, além da manutenção de cascalho, cerca de 30 pontes pequenas, além da ponte do arroio Evaristo – que tem 70 metros de extensão – também demandam reparos. Ao todo, por volta de duas mil casas foram atingidas na cidade.

Marten também sugere uma reunião com o Tribunal de Contas da União, destacando que a população não pode ser penalizada por restrições impostas em razão de más gestões em outros contextos. “Para nós, o cascalho é um insumo estrutural essencial para manter as estradas rurais e urbanas” reforçou.

São José do Norte enfrenta segundo desastre em dois anos

Já em São José do Norte, o Coordenador da Defesa Civil, Marcus Gautério, relata que é o segundo desastre natural em dois anos. Entre sexta e sábado, o acumulado de chuva chegou a 192 milímetros em apenas 24 horas, número superior ao registrado em 2024, quando foram 130 mm em três dias.

O excesso de água provocou a abertura da BR-101 no mesmo ponto do ano anterior. Segundo Gautério, os problemas se agravam porque os drenos da rodovia não foram limpos pelo órgão responsável, o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer). “Já tínhamos solicitado a limpeza e a manutenção, mas não foi feito. Agora, a água fica represada porque os dutos não dão vazão, inundando casas que ficam do lado do oceano e impedindo que a água siga para a lagoa”, explicou.

No último sábado (23), 48 pessoas ficaram desalojadas e precisaram sair de casa. Além disso, a Defesa Civil realiza o levantamento dos estragos nas lavouras de cebola, uma das principais atividades econômicas da cidade.

Situação regional preocupa

Os três municípios relatam dificuldades semelhantes: estradas danificadas, pontes destruídas e escassez de recursos para recuperação. Além dos transtornos imediatos para a população, os gestores alertam para os impactos econômicos e sociais que devem se estender nos próximos meses.

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