Responsabilidade digital

Editorial

Responsabilidade digital

Responsabilidade digital
(Foto: Jô Folha)

Crescem os números de vítimas de golpes através das plataformas digitais. Após o avanço na pauta da adultização, tão importante – e de celeridade impressionante – no Congresso, é hora de debatermos a responsabilidade para outros crimes cometidos nas plataformas digitais. Hoje o celular já rouba mais do que armas e a internet se tornou terreno fértil para golpistas, na tranquilidade de seus lares e até escritórios desenhados para isso, se aproveitem das pessoas mais inocentes – e desinformadas.

É inconcebível pensar em controle de publicações. Aliás, isso beiraria a censura. Mas a responsabilização, essa sim, deve entrar no escopo o quanto antes. Liberdade para publicar, mas também para arcar com as consequências. É assim que funcionam as leis no Brasil, em geral. As plataformas precisam, além de controlar discursos de ódio e desinformação em massa, seus marketplaces. E o argumento para tal é simples: inovação é o trabalho delas, então a responsabilidade de criar mecanismos mais seguros é fundamental para isso.

Claro que o estelionato mais “raiz”, que passa pelo falso sequestro e o golpe das fotos íntimas, se vale mais da desinformação por parte das vítimas do que de qualquer outro fator. É uma adaptação digital do golpe do bilhete premiado. Ainda assim, a sociedade precisa debater formas e criar soluções. É muito fácil passar o dia disparando mensagens em massa, uma pescaria para ver quem irá cair. Uma hora, alguém desatento é enrolado e o “serviço” do dia está feito.

Em meio a tudo isso, os órgãos de segurança precisam se adaptar, as pessoas informadas têm como missão orientar e os legisladores têm como obrigação pensar em soluções. Mas, junto a tudo isso, as plataformas devem também se movimentar para preservar a segurança virtual. Se a pauta da adultização nos trouxe uma mensagem clara, é a de que é muito fácil cometer crime na internet, mas também a de que as coisas só acontecem quando a sociedade faz pressão. Que seja feita, então, a pressão contra golpes, discurso de ódio, pedofilia e tantos outros conteúdos de “fácil acesso”.

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