Uma notícia publicada pelo Grupo A Hora em Lajeado traz uma reflexão necessária para Pelotas: por lá, um projeto reordena o comércio ambulante e cadastra vendedores, delimita áreas e fornece alvarás. Basta olhar para o Centro e o entorno do Calçadão para ver que a coisa saiu do controle na Princesa do Sul. Por um lado, há que se fazer o adendo de que são cidadãos que buscam sua renda e fazem um trabalho honesto para ganhar seu dinheiro. Por outro, a falta de organização criou uma bagunça e uma Torre de Babel, tamanha a poluição sonora. E há um terceiro ponto, que é a reclamação do restante do comércio.
Esse terceiro ponto é, inclusive, o mais sensível. É justo o argumento de que o lojista paga imposto, IPTU e mais diversas taxas que mantém o Centro vivo e, por outro lado, impactam nos seus ganhos. Os ambulantes, por outro lado, não têm custos e são uma concorrência vista como desleal pelo lojista. Ao mesmo tempo, voltamos para o primeiro ponto: são pessoas que buscam sua renda e seus ganhos. Por isso, a regulamentação e organização são os únicos caminhos possíveis e imagináveis.
Se Pelotas busca coletivamente repaginar seu Centro, a questão dos ambulantes é um tema a ser lidado, por mais dolorido ou até polêmico que seja. Há que se pensar em soluções dignas para que esses trabalhadores possam conseguir obtendo sua renda. Ao mesmo tempo, é preciso organizar a cidade. Um regramento que regulamente e ajuste o passo das coisas é fundamental para que não haja bagunça. O tema ainda não apareceu no escopo dos debates políticos locais, mas parece ser questão de tempo até entrar em pauta.
Diversas discussões são fundamentais para a evolução das cidades, mesmo quando desconfortáveis. Essa é uma delas, assim como está sendo a questão das charretes. E, feita com maturidade, pode ser benéfica para todas as frentes. Para isso, é essencial que haja debate, escuta ativa das partes envolvidas e democracia na hora da tomada de decisões. É assim que se avança e se evolui. Resta ver o nível que estamos para ter mais essa discussão.
