O plantio do trigo na Zona Sul do Estado alcançou 30% da área prevista para a safra de 2025. Com quase 13 mil hectares estimados, a produção deve ficar em torno de 32 mil toneladas. Considerado o principal cultivo de inverno, o trigo vem, no entanto, perdendo espaço no Estado. Conforme estimativa da Emater/RS-Ascar, a redução da área plantada pode chegar a 10% no Rio Grande do Sul.
Enfrentando muitas dificuldades em função da alta umidade dos últimos anos, Pelotas vem registrando redução na área cultivada. Para 2025, a estimativa inicial era de 120 hectares, mas, devido ao atraso no plantio, há possibilidade de nova redução, informa o engenheiro-agrônomo e extensionista da Emater Pelotas, Luciano Ossanes.
“Atualmente, a principal dificuldade do trigo em Pelotas é a alta umidade no momento da floração. Quando o trigo emite a panícula, é comum o desenvolvimento de uma doença que compromete a qualidade do grão”, explica. De acordo com Ossanes, após dois anos difíceis e com muitas perdas, os produtores estão desestimulados.
Considerado uma alternativa para a rotação com a cultura da soja, o cultivo do trigo no inverno é benéfico por auxiliar no controle de plantas daninhas e reduzir o uso de herbicidas na soja. A rotação também contribui para a melhoria da fertilidade do solo, a ciclagem de nutrientes e a redução de doenças. “É uma alternativa interessante para ser usada em rotação com a soja, mas o produtor está desencorajado”, avalia.
Cenário regional
Os municípios de Pedras Altas, Canguçu, Jaguarão e Piratini são os principais produtores da região, com dois mil ou mais hectares destinados ao trigo. A produtividade nesses municípios também se aproxima de três mil quilos por hectare.
No Estado, a estimativa inicial de produtividade é de 2.997 quilos por hectare, um aumento de 7,77% em relação ao período anterior, conforme o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar.
Safra com expectativa positiva
O agricultor Jocimar Bernart, com plantações nos municípios de Pinheiro Machado e Piratini, trabalha há quatro anos com o trigo. Em sua propriedade, de 5.500 hectares, 1,4 mil são destinados ao cultivo do cereal, que vem, no entanto, perdendo espaço.
“Estou fazendo algumas experiências. Vou plantar 200 hectares de cevada, cem hectares de aveia preta consorciada com ervilhaca e 20 hectares de carinata, para tentar nos reinventar”, conta.
A expectativa de Bernart é encerrar o plantio nesta semana, caso o clima permita. Até o momento, 15% da área já está semeada. O produtor espera colher entre 55 e 60 sacas por hectare.
