O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Pelotas (STICMPel) e o Sindicato da Indústria da Construção e Mobiliário de Pelotas e Região (Sinduscon) ainda não chegaram em um acordo para o reajuste salarial dos mais de 13 mil trabalhadores do setor. Em uma audiência de conciliação realizada na última semana, no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS), não houve avanço nas negociações.
Entre os pedidos estão o reajuste universal de 6% e 8% de reajuste para os pisos salariais, que não foi aceito pelo sindicato patronal. “Estamos há 10 anos com perdas salariais, recebendo apenas a reposição. Para recuperar teria que ser 10% e, quando foi indicado 6% por iniciativa do Sinduscon, nós não fomos consultados em nenhum momento”, afirma Dercírio Junior, vice-presidente do STICMPel.
Os trabalhadores, que estão em estado de greve desde abril, pedem também a instituição de prêmio por assiduidade obrigatório e de nomenclatura de cargos e salários, além do acréscimo das funções de operador de masseira, betoneira, grua, guincho e elevador, com pagamento de pisos dos oficiais e, o fim da obrigatoriedade de notificar as empresas sobre a realização de fiscalizações nos canteiros de obras com 48 horas de antecedência.
Como não houve acordo na audiência, o Sinduscon terá 25 dias, a contar do dia do último encontro, para analisar a proposta dos trabalhadores e apresentar contraproposta. Ao final deste prazo, caso a indefinição permaneça, a categoria afirma que avaliará o decreto de greve.
Posicionamento do Sinduscon
Em nota, o presidente do Sinduscon de Pelotas, Marcos Fontoura, afirma que houve uma tentativa de declaração de estado de greve e que este não encontrou apoio dos próprios trabalhadores, que não paralisaram suas atividades em nenhum momento. Além disso, garante que os dois grupos estão em tratativas. “Sobre o reajuste, nós já concedemos um, conforme manda a convenção coletiva. O que temos em negociação são coisas extras que o sindicato está pedindo e que estão sendo tratadas em reuniões regulares”, diz o representante.
Sobre a alegação de que o percentual não teria sido informado aos trabalhadores, antes de proposto, o sindicato laboral afirma que não procede e que o reajuste significa ganho salarial aos trabalhadores da categoria acima dos índices inflacionários do período. “Por escolha do sindicato profissional, todas as tratativas têm sido formalizadas dentro do rito da mediação institucional, o que está sendo feito pelo Sinduscon Pelotas também”, afirma.
“Seguimos abertos ao diálogo, confiantes de que a mediação em curso resultará em um acordo equilibrado, que preserve os interesses tanto dos trabalhadores quanto das empresas do setor”, conclui a nota do presidente.
