Massagista do Grêmio Esportivo Brasil desde dezembro de 2012, Paulo Sérgio Teixeira, mais conhecido como Tatu, vive a expectativa de trabalhar em mais um clássico Bra-Pel. Será o seu 15º desde que aceitou o convite de Rogério Zimmermann, à época, para trabalhar no Bento Freitas e desde então permanece na função.
“O Rogério me ligou e avisou que estava aqui no Brasil e me disse: ‘a situação é bem precária, não tem dinheiro, a gente não tem como pagar a moradia para vocês, se quiser vir terá que morar no alojamento. O salário é pequeno, mas a gente pode trabalhar e fazer crescer, porque a torcida é um fenômeno. A torcida apoia, e se a gente trabalhar, a gente consegue’. Peguei o meu carro e vim. Cheguei aqui e a gente começou a trabalhar”, relembra Tatu.
A relação do histórico treinador xavante com o massagista iniciou na época em que Rogério treinou a Ulbra. Tatu antes era massagista de vôlei, quando no clube de Canoas trocou as quadras pelos campos.
Tatu viveu de perto a ascensão do Brasil, saindo da Divisão de Acesso até a Série B do Campeonato Brasileiro, e o período ruim das últimas temporadas, que levaram o clube de volta à Série D.
A volta do clássico Bra-Pel
Tatu também estava presente na sequência de clássicos da Copa Sul-Fronteira logo em seu primeiro ano completo de Brasil. Na época, o Pelotas foi o campeão depois de oito encontros entre os rivais em menos de três meses. Desde então foram apenas seis clássicos, o último em 2021. Para Tatu, os torcedores da cidade mereciam esse reencontro por toda a paixão que envolve.
“Rivalidade boa, o cidadão pelotense necessita do Bra-Pel, assim como todas as cidades têm um clássico, aqui é importantíssimo”, afirma.
Dentro de campo, o foco do Brasil passou a ser o clássico somente após a derrota para o Inter, na quarta-feira. No entanto, o massagista rubro-negro acredita que os torcedores estão vivendo o Bra-Pel desde o acesso do Pelotas.
“Já está um clima de Bra-Pel desde quando saiu a tabela, aliás antes mesmo de sair. […] Eu acho que começou quando conseguiram classificar para poder brigar com a gente. Claro que vai esquentando à medida que vai chegando mais perto do jogo, mas a rivalidade já começou ali, de saber que iam disputar”, destaca.
Com um elenco que nunca disputou o Bra-Pel, Tatu conta que conversou com os atletas sobre a importância do confronto. “A gente conversa direto. O clássico aqui é faca na bota. Aqui a torcida também já passou para eles. Não precisa ganhar do Grêmio, do Inter, precisa é ganhar do Pelotas”.
Questionado sobre algum Bra-Pel histórico nesta passagem de 12 anos, Tatu recorda de um episódio fora das quatro linhas. Sem lembrar o ano, ele cita um clássico na Boca do Lobo em que afirma que dirigentes do Pelotas jogaram um desinfetante no vestiário visitante.
“Ficou quase impossível de ficar lá dentro por causa do cheiro, com ardência no olho”. O fato ocorreu quando Tatu estava ao lado do roupeiro preparando o vestiário para a chegada do elenco. “Limpamos tudo. Quando o time chegou tinha um pouco do cheiro”, completa.
Primeiro a chegar
Tanto em jogos no Bento Freitas como visitante, Tatu e o roupeiro Luciano Vaz são os primeiros a chegar. No caso do Bra-Pel deste sábado, ele projeta estar na Boca do Lobo por volta das 10h30min. “A gente sempre vai antes para poder organizar tudo. Água, gelo, frutas, roupa, chuteira, organizar o vestiário para quando os atletas chegarem estar tudo pronto”, conta.
Durante o jogo, Tatu sempre foca em observar os atletas rubro-negros e, no primeiro sinal de qualquer problema físico, tenta auxiliar o mais rápido possível.
“Eu sou bem focado no jogo. O cara balançou, pisou errado eu já estou de olho, já estou lá dentro [do campo]”, complementa. Ele também ajuda com medicamentos, injeções e bandagem, entre outras tarefas.